Numa era de alterações climáticas em que a Europa apresenta o aquecimento mais acelerado do mundo, observamos ondas de calor cada vez mais frequentes e prolongadas sobretudo no sul do continente.
Em Portugal, no ano de 2025, estima-se que as ondas de calor intenso provocaram 1500 óbitos acima do previsto para a época, 264 dos quais só no período entre 26 e 30 Julho, segundo a Direção Geral de Saúde.
Este ano, após um Inverno bastante chuvoso e com florestas muito danificadas pelas tempestades, o risco de incêndio florestal é ainda mais elevado, aumentando assim os efeitos do calor na saúde da população.
As consequências do calor extremo, como a insolação, a desidratação e o golpe de calor, são mais significativas em grupos mais vulneráveis tais como crianças nos primeiros anos de vida, pessoas acima de 65 anos e doentes crónicos com doenças do foro cardiovascular, renal e respiratório. As grávidas, os trabalhadores do exterior e as pessoas de condição social mais desfavorecida são também grupos de risco nos quais a exposição ao calor extremo pode causar consequências mais graves.
Quando exposto a temperatura elevada por tempo prolongado, o corpo perde a capacidade de regular de forma eficaz a temperatura interna permitindo que esta suba a valores acima dos 40o C. Este fenómeno é mais rápido em pessoas em extremos de idade nomeadamente em bebés, que possuem menor superfície corporal que permita o processo de evaporação e dissipação de calor e em idosos, cujos mecanismos de adaptação às variações térmicas são menos eficazes.
Na prevenção das consequências do golpe de calor é fundamental evitar a exposição solar directa e atividade no exterior nas horas de maior calor entre as 11h e as 17h e usar chapéu e roupas leves e claras que protejam a maior superfície de pele possível. O protector solar, com FP30 ou mais, deve ser usado diariamente aplicando-o de duas em duas horas nas áreas expostas nomeadamente cara e membros. A ingestão de água deve ser frequente mesmo na ausência de sede, preferindo água ou sumos naturais a refrigerantes e bebidas alcoólicas. As casas devem ser arejadas frequentemente e mantidas o mais frescas possível. Os veículos ao sol também devem ser arejados e arrefecidos antes da sua utilização evitando a permanência de pessoas no seu interior quando estacionados.
As vítimas de golpe de calor queixam-se frequentemente de enjoo e dores de cabeça, podendo apresentar-se muito lentificadas e até inconscientes. As crianças nos primeiros anos de vida podem apresentar maior irritabilidade, convulsões e perda de consciência. A pele pode estar ruborizada e quente não sendo obrigatória a subida da temperatura medida pelos métodos habituais. Na avaliação dos sinais vitais, pode observar-se aumento da frequência cardíaca e descida da tensão arterial.
Na suspeita de golpe de calor, devemos retirar imediatamente a vítima para um local à sombra, fresco e arejado. A prioridade é reduzir a temperatura corporal podendo-se recorrer a banho de água fria ou aplicação de toalhas molhadas no corpo. Caso a vítima esteja consciente, deve ser oferecida água. Na presença de qualquer sinal de alarme previamente mencionado deve ser contactado o serviço de Emergência Médica através da ligação ao 112.
O Verão representa sempre uma fase de descontração após um ano de escola e trabalho, com vontade de usufruir os dias quentes e solarengos. Tornemos estas medidas preventivas um hábito diário para que possamos viver o Verão da forma mais segura possível!