No Dia Mundial do Ambiente, assinalado a 5 de junho, importa refletir sobre o papel das instituições de saúde na construção de um futuro mais sustentável. Em 2026, esta celebração promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente, assume particular relevância ao destacar a Ação Climática, com o tema “Sinais urgentes que a Terra está a enviar e as respostas que escolhemos enviar de volta”. A campanha apela à adoção de medidas mais eficazes para enfrentar os impactos das alterações climáticas, cada vez mais evidentes, nomeadamente através do aumento da frequência e intensidade das ondas de calor.
Num setor cuja missão é cuidar das pessoas, é essencial reconhecer que a saúde está ligada ao equilíbrio ambiental, à coesão social e à sustentabilidade económica. A ação climática em saúde é hoje uma prioridade, uma vez que as alterações climáticas têm impacto direto na saúde dos cidadãos, contribuindo para o aumento da procura dos serviços de saúde, sobretudo em períodos de calor extremo.
A sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se afirmar como uma responsabilidade estratégica das organizações de saúde. A atividade assistencial envolve elevados consumos de energia, água e recursos materiais, bem como uma produção significativa de resíduos. Integrar práticas sustentáveis na prestação de cuidados é, por isso, uma necessidade ética, social e económica.
Na ULS Braga, este compromisso tem vindo a consolidar-se através da monitorização de indicadores ambientais e da implementação de medidas orientadas para uma gestão mais eficiente dos recursos e para uma maior resiliência face aos impactos climáticos. O acompanhamento dos consumos de energia e água, a análise da utilização de materiais e a monitorização da produção de resíduos são instrumentos essenciais para avaliar o impacto da atividade assistencial e identificar oportunidades de melhoria.
A adoção de práticas de eficiência energética, a racionalização de consumos, a promoção da reciclagem e a sensibilização dos profissionais para comportamentos mais sustentáveis contribuem para reduzir a pegada ecológica da organização e reforçar a sua capacidade de resposta. Gerir de forma eficiente os recursos significa também preparar a instituição para enfrentar eventos climáticos extremos e responder a aumentos de procura associados a esses fenómenos.
A adaptação às alterações climáticas exige igualmente o reforço dos planos de contingência, a proteção das populações mais vulneráveis e a adequação das infraestruturas e dos processos assistenciais, garantindo a continuidade e a qualidade dos cuidados.
Contudo, a sustentabilidade em saúde não se limita à dimensão ambiental. Inclui também uma forte componente social, refletida na promoção da literacia ambiental e climática e na proteção da saúde pública.
Do ponto de vista económico, a sustentabilidade implica organizações mais resilientes e eficientes. Uma gestão rigorosa dos recursos permite reduzir desperdícios, otimizar custos e libertar capacidade para investir na adaptação às exigências climáticas e na melhoria contínua dos cuidados prestados.
O desafio da sustentabilidade no setor da saúde exige visão estratégica, compromisso institucional e envolvimento coletivo. Na ULS Braga, acreditamos que cuidar da saúde implica também cuidar do ambiente, agir face às alterações climáticas e preparar o futuro. Porque a sustentabilidade não é um objetivo paralelo à missão assistencial: é parte integrante dela.