Na semana passada estivemos numa competição nacional escolar, composta por oito modalidades e em que o voleibol também esteve representado. No final do torneio, após a entrega dos prémios, colocamos uma música portuguesa, da Mariza (“Melhor de mim”), à qual os participantes reagiram cantando em grupo, abraçados, numa roda ativa e fraterna: todos juntos. Esse momento, refletiu um ponto extraordinário de confraternização entre os vencedores e os perdedores. Pode-se dizer que os jovens estavam genuinamente felizes. Este ambiente foi marcante e penso que todos os participantes jamais o esquecerão.
Foi evidente, durante todo o Campeonato Nacional um ambiente positivo, com reforço e forte contribuição do tipo de comportamento dos professores. Esta abordagem baseada no reforço positivo contribui para a criação de ambientes mais harmoniosos, reduzindo as tensões entre os participantes. A utilização do reforço positivo tem demonstrado ser uma estratégia eficaz na modificação comportamental. Em vez de focar a atenção no negativo, apenas nos erros e nas atitudes inadequadas, o reforço de aspetos positivos e exemplos de boa conduta, incentivando os alunos e atletas a boas atitudes e, obviamente, com a competitividade exigida, produz efeitos que são extremamente positivos para a sua formação.
O cartão branco (projeto associado a boas práticas na promoção do Fair-play) é, também, uma forma de valorizar atitudes como o respeito e a solidariedade. Esta amostragem, como um “ato público”, tem o mérito deste reforço positivo, o que aumenta a motivação dos jovens para uma convivência mais respeitadora. O conceito de Fair-play está associado ao respeito pelas regras, pelos colegas, pelos adversários e por todos os envolvidos numa atividade desportiva ou educativa. Quando estes valores são promovidos desde cedo, os jovens desenvolvem competências sociais importantes, como a empatia, a responsabilidade e a capacidade de resolução de conflitos. O cartão branco funciona como um incentivo para que estes comportamentos sejam adotados e repetidos, uma vez que os participantes percebem que as suas ações positivas também são reconhecidas e valorizadas.
Noutro quadrante, um outro episódio que foi igualmente marcante foi na final da Liga dos Campeões de futebol, quando o jogador brasileiro Marquinhos, ignorando as comemorações da conquista desta Taça, se apressou a consolar o seu adversário e compatriota, Gabriel, que tinha acabado de falhar o penálti decisivo. São exemplos destes, de grande desportivismo, que podem fazer a diferença. Infelizmente, este tipo de exemplo é raro, mas, quando acontecem, devem ser amplamente divulgados.
É fundamental que pais, professores, treinadores e árbitros se tornem agentes ativos na promoção dos valores éticos, transmitindo aos jovens a importância do respeito e da cidadania, pelo seu exemplo ou assumindo com positividade um ambiente mais harmonioso. Desta forma, estes contextos ultrapassam, claramente, o contexto desportivo e passam para uma esfera mais ampla, pois contribui decisivamente para a formação de indivíduos mais conscientes, respeitadores, responsáveis e colaborativos.