1. Celebra-se hoje a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, vulgarmente conhecida por Festa do Corpo de Deus. Aqui em Braga tem início a Adoração Eucarística Perpétua na igreja de S. João do Souto.
É mais uma oportunidade para reavivarmos a fé na presença real de Jesus na Santíssima Eucaristia.
«Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação», escreveu S. Paulo VI na encíclica Mysterium Fidei, datada de 03 de setembro de 1965.
«Independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o Corpo e o Sangue adoráveis do senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho»., afirmou também numa Solene profissão de fé, em 30 de junho de 1968.
Esta verdade de fé tem sido confirmada por diversos milagres, os milagres eucarísticos.
2. Isto significa que devemos viver a Missa de forma cada vez mais consciente. Significa que o Sacrário onde se conservam as hóstias consagradas (a sagrada Reserva, como se chama), deve merecer por parte dos cristãos uma atenção especial. Significa também que não devemos comungar de qualquer maneira: quer em relação às disposições interiores quer à forma como nos apresentamos. Noutros tempos havia a «roupinha de ver a Deus». Hoje…
3. Lembro os números 23-24 do Ritual romano «Sagrada Comunhão e culto do Mistério Eucarístico Fora da Missa»:
«A Eucaristia, que atualiza continuamente o mistério pascal de Cristo entre os homens, é a fonte de toda a graça e da remissão dos pecados. Contudo, os que tencionam receber o Corpo do Senhor, para alcançarem os frutos do sacramento pascal, devem aproximar-se dele de consciência pura e com as devidas disposições de espírito.
Por isso, a Igreja preceitua que ninguém, consciente de pecado mortal, por mais que se julgue arrependido, se deve aproximar da Santíssima Eucaristia sem antes ter feito a confissão sacramental. Se houver razão grave e faltar a oportunidade de se confessar, faça antes um ato de contrição perfeita, com o propósito de, em tempo devido, confessar todos os pecados mortais que no presente não pode confessar.
Quanto àqueles que costumam comungar diariamente ou com certa frequência, convém que se confessem regularmente, segundo a condição de cada um.
De resto, os fiéis devem considerar a Eucaristia como antídoto para se libertarem das culpas quotidianas e evitarem pecar mortalmente. Saibam também utilizar convenientemente os atos penitenciais da liturgia, sobretudo da Missa.
Os que vão comungar abstenham-se de alimentos e bebidas, exceto água ou remédios, pelo espaço de ao menos uma hora antes de receberem o Sacramento».
4. Não quero em devo fazer juízos temerários mas estou persuadido de que, em certos meios, se banalizou a Santíssima Eucaristia. Não se lhe presta a devida reverência.
Há quem comungue de menos e quem comungue de mais. Há pessoas que, por qualquer faltazinha, deixam de receber o Senhor. Outras há para quem nada é pecado e se abeiram da Sagrada Comunhão sem estarem devidamente preparadas.
Não se trata de andar de fita métrica mas no que respeita à formação das consciências há uma grande catequização a fazer. Sou suspeito se não aceitar normas e for eu a medir a gravidade dos meus atos.
«Eu para mim não tenho isto como pecado», ouve-se com alguma frequência. Se o autor de uma monstruosa falcatrua se apresenta com o ar mais inocente do mundo porque, para ele, o que fez não foi asneira… Se for assim... Se o doente se recusa a tomar o medicamento porque para ele não está com doença nenhuma…