A época desportiva em Braga foi longa e, sobre ela, já caiu o pano que simboliza o seu epílogo. Foram muitos treinos, muitos jogos e muitos minutos de convivência, num ambiente que foi transformando a equipa numa verdadeira família. É assim que deve ser: um espaço onde cada um sente as alegrias e as tristezas do outro, num grupo unido por objetivos comuns.
O balanço da temporada ficará para momento oportuno. Por agora, importa compreender a forma como terminou a época desgastante do SC Braga.
O último duelo da temporada que agora finda teve como adversário o Estrela da Amadora e como prato principal o derradeiro encontro entre adeptos e equipa. A formação amadorense lutava na Pedreira pela sua sobrevivência no principal escalão do futebol português, encarando essa salvação como um passo essencial na tentativa de equilibrar a situação caótica que vive fora das quatro linhas. As obrigações financeiras continuam a colocar um verdadeiro cutelo sobre a “cabeça estrelista”. São contas de outro rosário, que pouco importam para este texto, ainda que mereçam a natural preocupação dos adeptos tricolores.
A equipa orientada por Carlos Vicens, apesar de ter realizado uma liga muito aquém do expectável em termos pontuais, tinha já definida a sua posição na tabela classificativa. O quarto lugar voltou a ser ocupado pelos bracarenses, concretizando o objetivo mínimo estabelecido. A confirmação dessa posição, imediatamente a seguir ao pódio, surgiu com o empate alcançado no Estádio da Luz, frente ao Benfica, num jogo em que os encarnados chegaram à igualdade já em período de descontos, através de um penálti à moda dos tempos modernos. Os golos de Pau Víctor, autor de uma grande temporada, e de Gorby, capaz de silenciar o estádio benfiquista com uma “pintura” de rara beleza, foram o contributo bracarense para esse desfecho.
O último encontro entre adeptos e equipa foi preparado a preceito. O clube promoveu diversas dinâmicas na fanzone, criando momentos de lazer e convívio braguista, com atividades de animação e iniciativas destinadas a preparar o apoio à equipa nesta despedida da época desportiva. Confesso, no entanto, que não sou grande adepto de despedidas, sejam elas quais forem, pois surgem quase sempre associadas a separações tantas vezes indesejadas.
Do último jogo fica para a história um empate a dois golos, alcançado pelos amadorenses no último lance da partida, resultado que foi festejado de forma efusiva por significar a permanência no escalão principal e evitar uma descida de consequências imprevisíveis. Os golos de Gabri Martínez e, novamente, de Pau Víctor permitiram inverter uma desvantagem surgida de forma prematura, até ao fatídico minuto final.
Em contexto de preparação da nova época, Rodrigo Zalazar deixou a Pedreira e ruma a Alvalade, a troco dos milhões que equilibram as contas. Em sentido contrário, deverá regressar a Braga o guarda-redes Bernardo, após estar ao serviço do Tondela, ao passo que Diogo Travassos, que realizou uma boa época no Moreirense, já é uma certeza do novo plantel. Uma boa notícia para os bracarenses foi a renovação de João Moutinho, que mais parece um menino em início de carreira, fintando a idade com a sua postura e experiência profissional.
Agora é tempo de descanso, sem descurar a preparação da próxima temporada, na qual a luta pelo pódio deverá assumir-se como uma prioridade clara.