Com o objetivo de conhecer as lógicas de funcionamento d’A Praça, Mercado Municipal de Braga, e no âmbito da Licenciatura em Estudos Culturais da UMinho, realizámos um pequeno trabalho ancorado em entrevistas por questionário dirigidas à gerência, às pessoas utentes e aos/às vendedores/as.
A pesquisa partiu do interesse por conhecer e avaliar um espaço central na vida da cidade que, em 2020, foi requalificado com dotação de novas valências, nomeadamente a Mesa na Praça e novos espaços para usos diversos. Numa perspetiva mais alargada, o processo em curso de rápidas mudanças nas lógicas socioculturais da cidade, particularmente na parte antiga, inspira também a pesquisa. Neste sentido, cabe ter presente, até problematizar, os impactos que o fenómeno turístico tem em muitas ruas da nossa cidade. Basta ver o perfil dos novos estabelecimentos comerciais, mais orientados para as pessoas visitantes do que para os locais, para pensarmos na necessidade de olhar com atenção os processos em curso que promovem alterações significativas nos usos dos espaços públicos mais simbólicos da cidade agora crescentemente usufruídos por visitantes.
Em relação aos mercados públicos, temos bem perto o controverso exemplo do portuense Mercado do Bolhão cuja requalificação, muitos anos esperada, não escapou à turistificação da cidade. Os exemplos nesta direção no âmbito europeu são numerosos, sendo o Mercat de la Boqueria de Barcelona um dos mais conhecidos. Neste quadro, interrogamo-nos acerca da vitalidade d’A Praça enquanto espaço vivo para a comunidade local.
Os resultados principais da pesquisa apontam em duas grandes direções. Em primeiro lugar, as respostas das pessoas utentes mostram uma elevada satisfação com o novo espaço, mais funcional e atrativo, apenas matizado pela identificação de desafios no que diz respeito aos horários e às dificuldades para estacionar. Por outro lado, A Praça é percecionada, por todos os inquiridos, como mantendo um papel relevante na valorização da produção local e no apoio à economia de proximidade.
Noutra direção, é notório o facto de utentes e vendedores/as não estarem a par das propostas socioculturais que se desenvolvem no espaço; há, portanto, dois grupos de utentes bem diferentes a frequentar o mesmo lugar, o que, a priori, não parece problemático, pois contribui para um maior aproveitamento deste equipamento público. Há igualmente alguns indícios de gentrificação e turistificação, que para já não obstaculizam a função sociocomercial d’A Praça.
Em geral, os dados recolhidos apontam para um Mercado Municipal de Braga vivo e funcional, que preserva a sua vocação tradicional de compra e venda com forte dimensão de sociabilidade. Cabe aos gestores públicos e aos/às bracarenses em geral cuidar deste espaço simbólico e funcional da cidade, de modo a não comprometer, ao ritmo de novas modas e inércias, a sua razão de ser a médio e longo prazo.