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Maria; Mãe de amor inexcedível

Com certa frequência, as pessoas perguntam a si mesmas, qual é a relação mais comum entre Deus e o homem. E sobre este tema se imaginam muitas soluções fantasiosas, colocando Deus numa situação de distância entre Si e cada um de nós, certamente pensando na perfeição plena da sua essência e na omnipotência do seu poder.


 

Não deixando de ser verdadeira uma tal concepção – Deus é de facto infinitamente perfeito e poderoso –, esta realidade não nos deve levar a um afastamento medroso da sua intimidade. Efectivamente, se pensarmos um pouco, chegaremos à conclusão que tais atributos divinos, longe de tornarem impossíveis a nossa relação com Ele, são, ao invés, uma razão profunda para nos aproximarmos de Si e de mantermos uma constante intimidade com Ele.


 

Efectivamente, se Deus é omnipotente e, enquanto tal, omnisciente, é perfeito no modo como trata todas as criaturas a que deu origem. Por isso, se há alguém que deseje o nosso bem e a nossa felicidade, é Ele. Deus tem um sentido perfeito sobre o destino de cada ser que cria. Deseja e quer, de forma absoluta, o seu bem.


 

Quando, como ao homem, o faz surgir na vida como ser livre – por isso, o cria à sua imagem e semelhança – convida-o (não o obriga) a seguir os seus conselhos e as suas sugestões, tendo sempre em conta que o que Ele lhe apresenta como opção, provém do seu amor perfeito e do seu desejo que o fim para o qual lhe deu a existência – a felicidade celestial – não seja uma obrigação inevitável, mas o fruto de uma conquista livre e amorosa, que se transforma, ao fim e ao cabo, no prémio que Deus oferece a quem segue as suas propostas de comportamento.


 

Notemos ainda que Deus tem consciência da nossa fragilidade e dos nossos desvios. Lembremo-nos, por exemplo, de que quando o homem, pelo seu pecado, perde a possibilidade de entrar no Reino dos Céus, Deus como que não descansa enquanto não volta a proporcionar-lhe esse fim, pedindo ao seu Filho que encarne e ofereça a sua vida humana em holocausto – o Calvário onde falece Jesus – para que o Reino dos Céus volte a ser o fim possível da vida humana


 

E não se esquece de que, mau grado a sua entrega total nesse sacrifício tão requintadamente duro e injusto da Cruz, as nossas fragilidades continuarão o seu ritmo de constância e repetitividade, porque Cristo ensina a Pedro que o seu perdão não comporta um âmbito de sete vezes apenas, mas de setenta vezes sete. Isto é: o Amor de Deus por nós, apesar das nossas fraquezas, não se esvai. Continua sempre, generoso e compreensivo, na rota do perdão.


 

Mas não se fica por aqui: na Cruz, na pessoa de João Evangelista, pede a sua Mãe, Maria Santíssima, que aceite a maternidade universal de toda o ser humano, mostrando assim, apesar do sofrimento e humilhação da crucifixão, que quer que nós nos sintamos familiarmente mais próximos de Si, a fim de que a sua fraternidade facilite o seu perdão: Na verdade, a partir daquele momento, todo o homem é seu irmão, não só por ser filho Deus como Ele, mas também filho de Maria, Sua Mãe, que o tratará com um amor maternal inexcedível.

Pe. Rui Rosas

Pe. Rui Rosas

13 maio 2026