De entre os múltiplos problemas que as famílias, hoje, enfrentam, a educação dos filhos é, sem sombra de dúvida, a meu ver, o mais complexo; e, mormente, pela falta de apoio da sociedade em geral, quer no plano ideológico, quer na insuficiência de meios sociais e quer na falência ou na incongruência dos necessários apoios culturais e logísticos.
E a realidade de todos os dias leva a que qualquer pai ou mãe sabe e sente esta
verdade muito bem; e sabe muito mais, por exemplo, que as sociedades modernas (e a nossa, claro, embora ainda não muito moderna em determinados aspetos e circunstâncias) exigem cada vez mais dos seus elementos, e em todas as áreas, responsabilidade, capacidade, coerência e eficiência no ser e agir.
Ora, preparar assim (eficiente, responsável, coerente e capaz) um filho para este tipo de sociedade é tarefa ciclópica; e, sobretudo, em quase todas as vertentes onde a competência, a seleção e o escrutínio são valores primordiais cujo preço, o seu bem suado preço, a meu ver, sempre é cobrado a qualquer candidato que se apresta ao desempenho de qualquer função, pública ou privada.
Depois, quem tem filhos sabe muito bem (talvez até em excesso) que poucos ou ninguém o ajuda; e, pelo contrário, tudo e, direi mesmo, quase todos o tentem prejudicar, se não colher navegar nas águas muitas vezes pútridas dos compadres e das comadres, mormente quando se atravessa a politiquice e os politiqueiros.
Basta atentarmos na proliferação desregrada de novos conceitos e valores, tantas vezes atentatórios da norma (social, familiar e individual) e do direito para fazermos uma pequena ideia de quanto e como a maioria dos pais de hoje se sentem desapoiados e contrariados nos princípios e ações educativas promovidas, seja de que proveniência for; e muito claramente sofrem com as injustiças que avançam e se opõem aos elementares princípios, regras e valores de qualquer sociedade bem organizada, orientada e governada.
Pois bem, o que tanto por aí impera é a pornografia exposta e imposta a esmo, os apelos à violência gratuita, inclusive em alguma comunicação social, a droga que se espalha e chega com facilidade e impunidade às escolas, a prostituição descarada e promovida com leviandade e acutilância como se nada fosse, a dissolução dos costumes, o desrespeito pelos semelhantes e seus bens, o desamor ao trabalho… enfim uma maré alta de escolhos que enfrenta a educação e preparação cuidadas e atentas do futuro dos nossos filhos e netos; então, qualquer pai ou mãe sabem bem que tudo isto e muito mais que não foi dito é a realidade quotidiana com que os seus filhos se deparam e confrontam.
E, então, como prepará-los bem para saberem enfrentá-la? Claro, é o primeiro ato e obviamente o estritamente necessário. Mas, não chega, nem é tudo; direi mesmo que sozinhos os pais de hoje não conseguem segurar o barco e muito menos levá-lo a porto seguro.
E porque a educação tem que ser, fundamentalmente, um ato coletivo (de pais, escolas, autarquias, governo) e todos têm de estar de acordo no essencial; porque não basta que os pais previnam os filhos contra a droga, a prostituição, a pornografia, a dissolução dos costumes… se cá fora e mesmo ao lado elas campeiam impunemente.
Por isso, acabo como comecei e dar-me-ão razão: hoje é bem difícil aos pais educar um filho e, acrescento, bem difícil se não mesmo impossível; e dada a minha longevidade já de pai e avô tenho razões mais do que suficientes para poder lançar este brado aos quatro ventos.
Então, até de hoje a oito.