twitter

Braga cativa

Não alinho na conversa de que nas outras cidades é a mesma coisa pois, como é uso dizer-se, com as outras posso eu bem. Isto, porque a nossa, Augusta e dos Arcebispos, poderia estar bem melhor se o espírito crítico e fundamentado tivesse prevalecido. E não o conformismo exacerbado com que nós, bracarenses, vimos aceitando tudo aquilo que nela é implantado e produzido. Numa espécie de facto consumado e inalterável, em que prevalece a teimosia de quem manda. Muitas das vezes, de forma precipitada, leviana e sem nuances de futuro. Pelo que, agora, só resta esperar que esta equipa Autárquica tente corrigir ou minimizar os erros cometidos no passado. 

Nestes últimos anos, sobretudo na vigência da gestão anterior, pouco ou nada foi feito no sentido de retificar anomalias, corrigir trajetórias e abrir nova rotas à mobilidade. Quase tudo foi descartado e o resultado está à vista. Quem fica comprometido com todo esse encargo é o atual Presidente de Câmara Municipal de Braga, cuja tarefa – apesar de árdua e difícil – prometeu honrar. Pelo que, uma vez eleito, não deve esmorecer e ter sempre o sentido do seu cumprimento. Embora o seu trajeto político nos diga que, enquanto vereador, se calou perante um certo laxismo a que a cidade, nessa altura, foi devotada. 

Por isso, penso que não ter de se admirar da pressa que todos temos em ver as coisas corrigidas, ou resolvidas. Isto, para que quem de fora vier visitar a Roma portuguesa continue a afirmar que Braga cativa. Ainda que esteja “cativa” das concretizações que custam a aparecer no terreno. Principalmente as que beneficiarão as suas imagem e beleza. Pois embora o Edil-mor tenha vindo a anunciar nos jornais, a todo o momento, obras de vulto (onde é que eu já vi isto?), tal não é sinónimo de estarem a ser iniciadas, ou em vias de concretização.

Ora, a meu ver, um dos lapsos havidos foi o de não ter sido dada a devida atenção aos ventos da mobilidade que, há alguns anos, se começavam a sentir. Os quais não foram aproveitados para gizar e dar incremento a novos projetos e requalificação de importantes ruas bracarenses. Daí, o termos chegado a um ponto de dificuldade na mobilidade, tanto dentro como em redor da cidade. Uma vez ter sido sempre opção da CMB, salvo raras exceções, dar primazia ao automóvel ao invés da implementação de novas zonas pedonais. Estas sim, seriam um forte contributo à descarbonização da cidade, sobretudo no seu Centro Histórico. 

Ademais, acho este despejar de novos autocarros elétricos para as vias degradas comparável a uma casa a construir-se a partir do telhado. Isto é, ao estilo dos alicerces de um prédio, não ter havido a preparação dos pisos rodoviários, nem a definição das paragens de embarque e desembarque de passageiros. Por forma a dar à cidade um aspeto ordenado e de quem privilegia os transportes públicos. O que equivale a dizer-se que, daqui a algum tempo, esse moderno equipamento dos TUB – com tantos solavancos – ficará em mau estado. 

É que se a coisa não está famosa para quem circula de popó, que dizer para quem usa as duas pernas? Pois se a monumentalidade da nossa bimilenária cidade é muito admirada por quem a visita, já o mesmo não dirá dos passeios depauperados, inseguros, descontinuados e das impercetíveis passadeiras para peões. Cito, a exemplo, a rua de Taxa cujos postes de iluminação e afins foram implantados mesmo no meio do passeio. Dificultando a circulação de invisuais, cadeirantes, carrinhos de bebé e outros cidadãos em geral. 

Sem dúvida que, mesmo assim, a cidade é cativante. Não tanto, no que toca a algum do seu arvoredo. Senão, veja-se o do Campo da Vinha: de tronco torto, por falta de escolha, caprichar e bom gosto. Eu sei que mexer no espaço citadino, ainda que necessário, cria alguns anticorpos, se torna impopular e incómodo. Inclusive, para certos deputados da oposição. Só que na vida de um Mayor há que correr riscos. E eu não creio que o atual aspire a ficar no rol dos “inaptos”.

Narciso Mendes

Narciso Mendes

4 maio 2026