Durante muitos anos, os serviços desportivos universitários foram essencialmente organizados em torno da gestão de instalações, dos espaços, horários e reservas. Esse modelo, embora ainda relevante, tornou-se claramente insuficiente. Atualmente, os estudantes, já não procuram apenas espaços para praticar desporto, procuram experiências, que sejam flexíveis, acessíveis, integradas na sua vida académica e pessoal, e que façam sentido no seu quotidiano cada vez mais fragmentado.
Esta mudança não é uma opção, é uma consequência de um novo contexto marcado por três fatores determinantes: tempo, dinheiro e saúde. O “tempo” dos estudantes é hoje um recurso escasso, pois o desporto deixou de competir apenas com outras modalidades e passou a competir com tudo, desde plataformas digitais até à própria gestão da vida pessoal. Se os serviços não se adaptarem a esta realidade, simplesmente deixam de ser relevantes. Ao mesmo tempo, o “fator financeiro” impõe uma nova lógica de funcionamento, as instituições têm recursos limitados e as exigências são cada vez maiores. Já não basta fazer, é necessário justificar o que se faz. A eficiência deixou de ser uma virtude para passar a ser uma condição de sobrevivência. Isto implica simplificar processos, eliminar desperdícios, trabalhar em parceria e, sobretudo, medir impacto. Quem não mede, não consegue justificar, e quem não justifica, dificilmente sustenta. Mas é na “saúde” que reside o verdadeiro propósito, o desporto no ensino superior não pode continuar a ser visto como uma atividade extracurricular, deve ser parte integrante da resposta a um dos maiores desafios das instituições, tal como a saúde física e, sobretudo, a saúde mental e social dos estudantes. Este é um ponto de viragem, e o desporto deixa de ser complemento e passa a ser solução, logo, a sua relevância institucional altera-se profundamente.
Neste novo paradigma, há princípios que se tornam incontornáveis. O utilizador deve estar no centro da decisão, e não as estruturas herdadas do passado. O digital deixou de ser um extra e passou a ser parte essencial da experiência. A simplificação é um fator crítico de adesão, cada barreira adicional reduz participação. E, cada vez mais, o trabalho em rede com municípios, escolas, clubes e parceiros privados deixa de ser uma opção para passar a ser uma necessidade. Também ao nível das infraestruturas se observam mudanças claras. O futuro não passa por mais metros quadrados, mas por melhor utilização dos existentes. A tendência aponta para espaços híbridos, multifuncionais e abertos à comunidade. Instalações que se adaptam ao longo do dia, que servem diferentes públicos e que criam experiências, e não apenas condições de prática. O conceito de instalação desportiva está, também ele, a evoluir.
Tudo isto conduz a uma conclusão inevitável, os serviços desportivos universitários estão a deixar de ser meramente operacionais para assumirem uma dimensão estratégica. Já não se trata apenas de gerir atividades, mas de contribuir para objetivos centrais das instituições, na saúde e bem-estar, integração e sucesso académico.