Os homens que iniciam e fomentam uma guerra militar no terreno, sempre conhecem os seus adversários, mas, sempre, não são eles que morrem na guerra.
Os homens que combatem na guerra, não se conhecem, mas são os que morrem. Os mandantes invasores e invadidos, quase sempre nunca têm filhos para mandar para a guerra. E se têm e se nomeados forem para a guerra, normalmente são colocados nas secretarias e devidamente protegidos da guerra. Como diria meu avô: “quem sofre é o mexilhão, quando o mar bate nas rochas”.
É mundialmente sabido que o sanguinário Putin da Rússia invadiu militarmente e quer a destruição da Ucrânia, iniciada em 24 de Fevereiro de 2022, guerra que se mantém. Esta guerra não tem explicação, não faz sentido e a Ucrânia não prevaricou Putin nem o seu povo.
Putin é ditador, é sanguinário e tem nas veias e na mente a cultura da guerra que Lenine provocou com as suas centenas de milhões de mortos, como o sanguinário Hitler provocou, na II grande guerra. Os predadores dos direitos humanos resistem.
Cirilo, líder da Igreja Ortodoxa Russa, é amigo do ditador Putin. Pelo que, a Igreja Ortodoxa, submete-se a Putin, porque se sente acarinhada e protegida nas suas fétidas águas. Cirilo da Rússia, conhece bem o convite que Satanás fez a Jesus Cristo no deserto: “atira-te do pináculo do templo para baixo, porque está escrito que nada Te acontecerá, pois, os anjos não deixarão que teus pés tropecem nas pedras”.
Cirilo da Rússia, intelectualmente paralisado, “já tropeçou nas pedras”, pois, disse aos reservistas militares da Rússia – que Putin requisitou para a guerra – que “desde que morram em combate, todos os pecados lhes serão perdoados”. Afirmação repugnante! Arrotou em nome de Deus!
Sou do tempo do Cardeal Cerejeira e também tivemos a guerra colonial. Pode-se afirmar que, de certo modo, parte de alguns clérigos portugueses estavam acomodados à guerra de 1960 a 1974, nas ex-províncias ultramarinas. Mas como bem se sabe, havia padres que se opunham, que militavam contra essa guerra, que muitos foram presos por colaborarem com os guerrilheiros, clérigos vários que conheci.
Cerejeira, apesar de amigo de Salazar, nunca foi tão longe como Cirilo da Rússia, em abençoar a guerra do ultramar e dizer aos militares “ser-vos-ão perdoados os pecados por morte em combate”. Mais: em Maio de 1967, veio ao Santuário de Fátima o Papa Paulo VI – discordando Salazar dessa visita – e em Fátima, referindo-se à paz, indirectamente dirigiu-se a Salazar, dizendo: “Homens, sede homens”.
Enquanto Cirilo da Rússia, abençoa o regresso obrigatório dos reservistas e não reservistas, para combaterem contra os ucranianos, não obriga os seus sacerdotes a participarem na guerra, enquanto a Igreja Católica portuguesa era obrigada a mandar os seus sacerdotes para o ultramar, com a missão de orientarem os militares na vida espiritual e de fazerem as celebrações litúrgicas. E, como não podia deixar de ser, morreram vários sacerdotes em combate, que nem armas à cinta lhes exigiam transportar, por conselho de Cerejeira e pelos avisos de paz contidos nos evangelhos.
O que acima se afirma, afirma-se porque se conhece o que se escreve. Obrigatoriamente, também tive de participar na guerra colonial, durante trinta meses no terreno e sei muito bem como se pode morrer ao som das balas de guerra. Vi mortos e feridos em combate e nunca ouvi a Igreja Católica a, em nome Deus, encorajar homens para participar na guerra, como Cirilo da Rússia teve o atrevimento de encorajar.
Cirilo, pelo que afirmou, não tem filhos nem sacerdotes para encorajá-los a que participem na guerra de Putin. Mais: Cirilo, ao meter Deus na guerra de Putin, não pode – segundo o amor e a paz que se aprende a aplicar nas Escrituras – ter bom fim. Cirilo da Rússia chafurda no sangue que Putin manda derramar, e esquece que Deus é justo. Logo, terá de prestar contas do tempo gasto e dos incentivos proferidos.
Até o endiabrado Donald Trump – que dizem ser “activo favorável a Putin” parece querer fazer do Papa Leão XIV o Cirilo da Rússia: “não aceita que o Papa deseje e peça a paz, junto daqueles que vão ensanguentando as mãos na guerra”. Mas quereria que Leão XIV abençoasse a sua guerra contra o Irão e que anunciasse que “os americanos que morressem na guerra, ser-lhes-iam perdoados os pecados”.
Mas o Papa Leão XIV – apesar de ser americano como Trump – sabe o que Deus quer da Humanidade, bem como conhece e segue a Sala dos quatro Evangelhos, e não deverá nunca submeter-se ao mundo do crime e da morte provocada por loucos ou por diabolizados homens, que vivem num reino que nunca será deste mundo.
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)