Em Portugal, o associativismo profissional tem sido historicamente um dos motores para a valorização das carreiras. Desde de abril de 1974 que ganhámos direito a uma voz. E, no caso da Educação Física, esta realidade ganha particular relevância num contexto em que a disciplina lutou (ainda luta) pelo reconhecimento pleno na escola e na sociedade. É neste enquadramento que surge a Associação de Profissionais de Educação Física de Braga (APEF Braga), tendo sido a percursora nacional deste movimento associativo. Em 1982, um grupo de docentes de Educação Física de Braga fomentou, no trabalho coletivo, a defesa da educação e da importância da escola, muito para além da própria disciplina. A APEF Braga insere-se num mosaico de associações regionais que partilham objetivos: comunhão de experiências, intervenção pública em defesa da disciplina, discussão de temas estruturantes, para além da formação contínua de professores. A existência destas associações demonstra que os professores não se podem limitar à prática pedagógica individual, devem procurar, também, construir uma comunidade profissional que pensa, debate e influencia políticas educativas e de desenvolvimento das respetivas disciplinas. A importância deste associativismo torna-se evidente quando analisamos a missão da APEFB, que desde a sua criação, trabalha para melhorar a qualidade da Educação Física e promove a atualização científico-pedagógica dos seus associados. Esta missão funciona como um espaço de proximidade, de apoio, de colaboração e dinamização dos contextos da disciplina.
A Educação Física vive permanentemente influenciada pelo Desporto e pela Educação. Esta abrangência exige atualização constante, reflexão científica e, de forma efetiva, também exige interação com o poder decisório. Assim, sem estruturas associativas fortes, com voz persistente e ativa, estas ações dificilmente existiriam. Outra missão importante é que, o associativismo tende a combater o isolamento profissional, o que continua a ser uma realidade para muitos docentes. A sala de aula, ou o pavilhão, pode ser um espaço solitário. As associações profissionais criam redes de partilha, formação e apoio que ajudam a combater esse isolamento e a promover inovação pedagógica.
O associativismo enfrenta desafios evidentes. No caso dos docentes, a falta de tempo dos professores, a sobrecarga burocrática e a desvalorização social da profissão podem desmobilizar a participação ativa. Mas, há razões para otimismo. A APEFB tem feito um trabalho de grande vitalidade, para além de mobilizar um número significativo de profissionais. Poderiam ser mais, sim! Mas o plano de ação está cada vez mais alargado e diverge muito nas suas propostas. Num tempo em que se fala cada vez mais de educação, saúde, bem-estar e estilos de vida ativos, a Educação Física ganha nova centralidade e renovada importância. Este contexto abre oportunidades para que associações, como a de Braga, reforcem a sua relevância e promovam a melhoria das competências profissionais dos seus associados. Claro que o associativismo não resolve todos os problemas da disciplina, mas oferece algo essencial: uma voz coletiva. E numa profissão tantas vezes invisível, ter voz é já um passo decisivo para existir e fazer acontecer.