Todos lamentamos, com certeza, que o país ocidental mais poderoso, recorresse à guerra para tentar resolver uma situação complicada, no mundo actual. Recordemos, por exemplo, que no século passado, houve duas grandes guerras, em que participou sempre a Alemanha, que em ambas foi vencida.
Mais próxima dos nossos dias, a Segunda Grande Guerra Mundial, se acabou com o sistema político que tinha o ditador Hitler como elemento principal, trouxe, concretamente para a Europa Oriental, na maioria dos seus países, não um sistema de liberdade, mas o peso de ditaduras comunistas, que os governaram durante bastantes anos . Lembremos, entre outros, a Polónia, a Roménia, a Hungria, a Bulgária, a Yugoslávia, a Albânia, etc.
A própria Alemanha foi dividida em duas partes, a Ocidental e a Oriental, ficando esta também sob a tutela dum sistema comunista, obediente à União Soviética, que, na altura, era governada por um ditador implacável, Estaline.
Diríamos que, neste caso, se a luta contra o chefe germânico “nazi” e ao seu sistema político, derrubou uma ditadura, a União Soviética, que o combateu, aproveitou esta vitória para semear pelos países que se referiram, o seu sistema político, que não respeitava a liberdade dos cidadãos, já que impunha um sistema governativo onde a liberdade de expressão se desconhecia e, além disso, havia sempre uma polícia política indesejável.
Decerto que a queda de Adolfo Hitler foi um bem para todo o mundo. O seu partido único não governava com o mínimo respeito a liberdade dos cidadãos. No entanto, o mesmo se podia dizer dos dirigentes de Moscovo, nomeadamente de Estaline.
E se a Segunda Grande Guerra aniquilou um ditador e um sistema político indesejável – referimo-nos, obviamente, à derrotada Alemanha hitleriana –, proporcionou a outro sistema político de partido único e ditatorial, com uma polícia política substancial, a KGB, de que o actual chefe de governo russo foi membro –, que espalhasse pelos países que o exército soviético foi visitando e conquistando o seu poder e o seu modo de governar. Nesta ordem de ideias, a intervenção norte americana e israelita contra o Iraque – que, por estes dias, tanto quanto o noticia a imprensa diária, está mais ou menos parada para negociações – será o melhor modo de resolver os assuntos que motivaram esta luta?
Uma contenda bélica sempre traz consequências profundamente lamentáveis. A destruição de numerosas realidades que não podem resistir aos seus ataques é, já de si, uma razão negativa e – digamos – devastadora, porque atinge pessoas pacatas nos seus lares e na sua vida comum, além de derrubar muitas realidades, como empresas, fábricas e, tantas vezes, os próprios bens de muita gente pacífica, que vê o seu trabalho de muitos anos arruinado.
Esta guerra não poderia ter sido evitada? Todos sabemos que, pelo menos os Estados Unidos, têm uma superioridade bélica efectiva em relação ao Irão. Mas esta luta será o caminho correcto para chegar a um acordo? “É a falar que a gente se entende”, como diz o velho ditado, ou recorrendo ao uso da força?