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Que alívio?

 



 

 

Hungria, herdeira da raça magiar, tem agora um primeiro-ministro que se chama Péter Magyar. Saudámo-lo pela sua expressiva vitória sobre Vitor Orban nas eleições legislativas realizadas no passado dia 12 do mês em curso e também para lhe desejarmos que seja sage na sua presidência. A Hungria escapou ao domínio russo de Putin e aos desejos de Trump, os dois mais poderosos inimigos da EU por razões diferentes, é verdade, mas unidos no mesmo desejo de a aniquilar. Tudo indica que Péter Magyar tem tendências vincadas pela Europa e mais não faz do que concretizar um gosto generalizado dos húngaros. Vimos e ouvimos húngaros gritar: Europa, Europa, logo após a vitória eleitoral de Magyar. Aliás os números expressos nas urnas demonstram bem quanto muitos deles votaram pela Europa e não apenas pelo homem que os pode lá colocar. E a Europa que tem o mau exemplo da Bielorrússia de Alexandr Lukashenko que se tornou moço de recados de Moscovo, numa subserviência de cachorrinho de colo. É muito nojento lamber botas, mas há quem lhes encontre o sabor de subordinado. Nasceram para ser cauda de rato. A Europa não desejava que outro feudo se estabelecesse na velha e honrada Hungria e, por isso , soltou um suspiro de alívio. A Hungria de Orban morreu ou está apenas à espera das ordens que virão da Rússia e da América? Poderão haver perturbações de rua por díscolos encomendados pelos derrotados? Tudo é de esperar, mas à Europa não basta suspirar de alívio, torna-se-lhe igualmente premente que esteja atenta ao que pode aí vir e nunca se dispense de estar ao lado de Magyar. Se na Ucrânia se joga a ligação à democracia aqui também no tabuleiro estão as mesmas pedras. O desejo do povo não chega, é preciso acrescentar-lhe apoios expressivos que sejam dissuasores dos apetites russos e ou americanos. Custa-me acreditar que estes derrotados não queiram ganhar pela força das armas o que perderam pela força das urnas. Vão surgir declarações em vários tons, inclusive de fraude eleitoral; tememos que seja motivo para não aceitarem os resultados. E muita atenção, Péter Magyar não é um democrata, foi aprendiz de ditador. E uma vez provado é paladar de criança . Alguma coisa fica sempre. Todo o cuidado é pouco, povo húngaro.

Paulo Fafe

Paulo Fafe

20 abril 2026