É do conhecimento geral que o desporto vive momentos de crise, a exemplo daquilo que acontece noutros sectores da nossa sociedade, embora esta ideia não seja entendida por alguns agentes diretamente envolvidos. E quando se fala em crise logo vem à mente o aspecto financeiro como principal fator para toda esta situação, mas estou certo que a realidade é outra. Cada dia que passa, verificamos que as dificuldades aumentam e que os clubes de menor dimensão são os que mais sofrem com isso. No entanto, penso que um dos graves problemas porque isso acontece, é que cada vez mais, há agentes a desinteressarem-se pelo associativismo desportivo. Isto é preocupante para o desenvolvimento desportivo nacional, quando se sabe que a grande maioria dos valores humanos do desporto apareceram ou surgiram naqueles que são a base de todo o desporto português. Somos um país, todos dizem, de grandes dificuldades económicas e sociais, pois bem, então não se percebe muito bem porque razão não há um investimento forte nesta vertente, apesar de em tempos se ter lançado um programa sobre o associativismo juvenil. Hoje já não existem os ditos “carolas” que até há bem pouco tempo eram eles quem promoviam o desporto amador, garantindo toda uma estrutura associativa em que nós, portugueses, somos fortes e traduz de forma bastante ativa a união, a cooperação e a solidariedade. De certa forma a falta de apoio das entidades responsáveis a esse público-alvo, foram fatores determinantes para que muitos desses “carolas” fossem abandonando os seus hobbies, o que é efetivamente preocupante pela importância que ainda hoje têm na sociedade civil.
Um plano de ressurgimento desses “carolas”, seria um tónico essencial para revitalizar muitas estruturas que hoje se agudizam por esse país fora. A comunicação social teria um papel fundamental e importante a desenvolver, num projecto global de apoio, de incentivo, mostrando a face do trabalho que é feito e dos valores que se desenvolvem neste segmento da sociedade civil e desportiva. Enfim!.. Seria necessário entender melhor este problema para que as medidas tomadas fossem a garantia dos valores que o desporto tem de melhor. O convívio, a amizade e a solidariedade, são costumes e hábitos que fazem parte da cultura social que estes clubes tão bem sabem produzir e ao mesmo tempo transmitir.
Era importante que todos aqueles que possuem responsabilidades nestas áreas refletissem sobre estas questões e desenvolvessem um trabalho de base para que o desporto amador não corra o risco de extinção. E quantos atletas é que não despontaram para esta causa pelo empenho e dedicação desses agentes? Estou certo que aqui reside um manancial de promoção desportiva, a não perder, porque é na base que reside a força do desporto português.
A televisão, por exemplo, teria um papel fundamental a desempenhar, poderia e devia ser mais didática, promover programas informativos que ajudassem a compreender o papel que o desporto amador desenvolve, a formação que muitas vezes se faz junto de pais de atletas, nomeadamente no futebol, quando estes julgam que os seus filhos são os melhores do mundo!.. Estou certo que estaria aqui um belo exemplo de dinamização e desenvolvimento do desporto amador, em vez de programas pouco informativos e formativos, os quais se baseiam em discussões estéreis e inúteis sem qualquer sentido ético e mobilizador.
Lu