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O espectáculo dos gambozinos!

 


 

 


 

Seria mesmo engraçado construir uma narrativa fabulosa, cujos os protagonistas principais fossem aqueles bichos do imaginário popular que se caçavam à noite com amendoins: os gambozinos. Com um saco de serapilheira e com umas dúzias de “pinotes”, resolvia-se o problema que se escondia nos matagais. Até não era difícil de os ensacar. “Gambozinos ao saco” era a palavra mágica usada para os despertar, pois os bichos dorminhocos reagiam bem ao cheiro intenso dos amendoins e ao chamamento. Bastava só um pouco de paciência, de habilidade e muito silêncio de preferência em noites de Lua Cheia para os apanhar. Neste caso, a caça tornava-se divertida para os acompanhantes ver as cenas patéticas que o caçador fazia.


 

1 - Comecemos a narrativa gambozineira com o país. A verdade é que os gambozinos lusos colonizaram os postos avançados dos comandos da mata. Uma coisa parece-me certa nesta situação: não é com amendoins que se apanham esses bicharocos. Estão bem experimentados e sequiosos por outras iguarias bem mais suculentas. Alaparam-se de tal modo às mordomias das tocas que não há forma de os demover. O país está mesmo infestado de gambozinos. Basta ver o cenário. Uns, andam meio-escondidos e até meio-envergonhados nos densos matagais caseiros pelo desempenho sofrível que urdiram num passado recente. Em maré de desnorte, deixaram mazelas bem pronunciadas nas tocas e nos caminhos de fuga. Ainda não satisfeitos com os resultados, querem voltar à mesma trabalheira. Outros, os mais levianos ou estroinas, provocaram, em tempos para esquecer, um ambiente com linhas vermelhas e provocam agora muito desconforto na “caça” aos tachos a propósito de coisa nenhuma. A verdade é que em todos os buracos, e são muitos, há gambozinos de todos os tamanhos, cores e feitios. Já foram mais. Sim, estão em extinção acelerada, pelo menos aqueles que habitam os matagais sinistros, com o líder a zarpar para outras bandas na procura de apetitosas guloseimas. Por isso, os conflitos no miolo das tocas vão acontecendo com toda a naturalidade. O ruído, entretanto, vindo dos lados opostos, continua estridente. E a incomodar.


 

2 - Passemos a acção para outro hemisfério. Os gambozinos locais, bem mais carrancudos e anafados, de nariz empinado e de goelas abertas, fazem um barulho ensurdecedor. Com o pio sempre desafinado, mas de trompas bem erguidas, espalham a confusão no habitat planetário. O certo é que o terror está instalado e não há maneira de conter os ímpetos nervosos e instáveis que se manifestam às claras nas paragens das boas petiscadas. O gambozino-mor, cortejado por outros de castas inferiores, só tem um desejo fervoroso e irresistível: açambarcar até à exaustão os petiscos que não lhe pertencem. E neste corrupio tonto, com doses de cinismo e de fanfarronice assinaláveis, o chefão, de dedo sempre em riste, pragueja, ameaça, recua, volta a praguejar agora com ameaças cada vez mais diabólicas que aterrorizam os mais pacatos. 


 

3 - O cenário global está numa forte confusão. Aguarda-se por melhores dias e que a tontaria passe na corte branca daquele famigerado glutão. Não é possível aguentar por muito mais tempo os tiques do gambozino-mor, demasiado pachorrento e de obesidade pronunciada que já mal se tem nas gâmbias. A Corte Branca refastela-se que se farta com deambulações despropositadas, não havendo, até ao momento, remédio eficaz para dizimar esta praga que infesta as noites de Lua Cheia. A verdade é que ainda não apareceu nenhum rival capaz de o pôr na ordem, até de o ensacar e de lhe cortar o pio de vez que se tornou insuportável. 


 

4 - Deixando o mundo da fábula, as brincadeiras “pueris” têm as suas graças e os seus limites. As cenas passam-se noutros palcos. Estas patetices, vindas dos ferozes beligerantes e da irracionalidade que estão em jogo, são coisas muito sérias e feias que trazem muita desgraça, morte e destruição. O mundo a sério não pode viver nesta constante angústia e nesta loucura permanente e suportar gente sem quaisquer rasgos de moralidade e de humanidade, em que o sadismo, a usurpação e o terror são os modelos incrementados só para mostrar o seu poder. 

Quem percebe, por exemplo, que Putin queira mediar o conflito no Médio Oriente?!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

19 abril 2026