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Mundo Procura Novos Santos: também Tu podes ser Santo(a)!

Parabéns Diário do Minho. Já pensou, já pensaste, que também pode(s) ser Santo? A decisão é sua/Tua. Dia 20/4/26, no Canal História, vai começar a ser transmitida uma nova série documental e dramática da autoria do realizador norte-americano de origem italiana Martin Scorsese. Esta série já tinha sido exibida noutros canais, infelizmente fechados, deste 2024/25 e já ultrapassou a 1ª temporada. Santos ou Saints é uma breve série documental que interpreta a vida de várias figuras centrais da tradição Cristã, tratando-as não tanto como “estátuas históricas e mudas” de devoção, mas mais como pessoas concretas, fruto também das circunstâncias de conflitos políticos, violência, medo, hesitações, tentações, dúvida, sentimentos humanos contraditórios, positivos e negativos e escolhas que acabam por ser “radicais”. Radicais aos olhos daquilo que é hoje “politicamente correcto” e/ou do wokismo, ele próprio um fanatismo intolerante face à liberdade de consciência, culto e religião. A série procura demonstrar que cada Santo é alguém que, num certo ambiente histórico, se tornou uma força da natureza, rectius uma força de ruptura. São indivíduos que colocaram em causa a ordem estabelecida, recusaram “compromissos morais considerados” (por muitos e/ou pelo próprio poder) inevitáveis e pagaram um preço pessoal, e familiar, elevado pela fidelidade às suas convicções, desde a tortura à morte. Mas não há maior força do que a Santidade. Um Santo derrota todas as dores. A linha orientadora é uma ideia humana pétrea de transformação. Martin Scorsese interessa-se por situações da vida onde ocorrem importantes alterações como v.g. conversões, quedas, tentações, perdas, vitórias, derrotas e recomeços. A santidade, longe de ser “uma pureza sem luta”, brota muitas das vezes de contradições e paradoxos que são internos às profundezas da mente e do espírito. No lugar duma perspectiva hagiográfica e/ou idealizadora, esta série dos Santos envereda por um registo narrativo dramático. Seja por meio de reconstituições, narração e contextualização histórica, para demonstrar como as opções espirituais, da alma, são igualmente decisões económicas, sociais, políticas e culturais. Mas sobretudo mentais. E são decisões que tiveram, têm e terão um forte impacto sobre comunidades e instituições. Ao longo dos episódios, surgem assuntos conhecidos: a tensão entre fé e poder - quando a autoridade religiosa ou estatal tenta controlar a consciência individual de cada um -, a compaixão como “acto criticável e perigoso”. Ajudar, proteger e orientar os marginalizados, pode significar afrontar estruturas económicas e culturais dominantes. Ou pseudo-dominantes. E a coragem de recusar a violência num mundo que a normaliza e a torna comum, quer nos média, quer nas redes virtuais e sociais. E até nos jogos de computador com extrema violência oferecidos no Natal! Esta série documental sublinha também a dimensão profundamente humana dos Santos: medo, tentações, ambição, culpa e, por vezes, uma solidão profunda — contraposta em choque frontal à força interior que os leva a perseverar e romper as amarras da podridão da alma e da corrupção da carne. Numa perspectiva visual e rítmica, Santos procura aproximar o espectador do “chão” da história: cidades concretas, pobreza, miséria, guerras, doenças, perseguições, injustiças, ganância, traição, ódio, Amor. O resultado é um quadro em que a Santidade aparece como um sulco de risco, não como recompensa automática. No centro das atenções está a pergunta-chave que atravessa todo o projecto: o que leva alguém a escolher o bem — de forma consistente — quando isso custa reputação, segurança, liberdade, a integridade física, a dor “insuportável” ou a própria vida? Estamos perante uma reflexão sobre moralidade e mudança radical de vida: como aparecem seres humanos capazes de contrariar a maré do seu tempo e como as suas Histórias de vida, mesmo séculos depois, continuam a interpelar e influenciar o presente. É, no fundo, um ensaio interpretativo para olhar para estas personagens com realismo e empatia, demostrando que a Fé, quando vivida até às últimas consequências, é também uma narrativa de conflito, Sacrifício, Caritas e Esperança. Em 1988, Scorsese apresentou o filme “A Última Tentação de Cristo”, na altura apelidado por muitos de “blasfémia”. Mas atenção, o próprio filme alertava não ter por base Os Evangelhos. Um dia também São Paulo, foi Saulo, um perseguidor e assassino de Cristãos... Talvez tenha chegado a hora de Scorsese procurar pelo menos honrar os Santos e suas lágrimas que não foram em vão! V.g. Stª Joana d'Arc, S. João Baptista, S. Sebastião, S. Maximiliano Kolbe, S. Francisco de Assis, S. Moisés, Stª Maria Madalena, S. Patrício, S. Pedro, S. Tomás Becket, S. Carlos Acutis, entre Outros.

Gonçalo S. de Mello Bandeira

Gonçalo S. de Mello Bandeira

17 abril 2026