twitter

José da Costa Vilaça – Um notável arquitecto bracarense

Quando, há uns anos atrás, escrevi uma crónica sobre o arquitecto João de Moura Coutinho, estava longe de revisitar a história de um seu discípulo, o notável arquitecto bracarense José da Costa Vilaça.

A figura de Vilaça reapareceu numa recente conversa de família, quando, a propósito dos projectos de construção da casa dos nossos avós maternos, em Areias de S. Vicente, Barcelos e de reconstrução da casa dos nossos avós paternos, em Arcozelo, do mesmo concelho, a mais velha dos presentes recordou que esses projectos tinham sido ambos da autoria desse arquitecto, existindo ainda os esboços ou esquissos originais daquela primeira casa, da década de trinta do século passado.

Como ignorava tal facto, a descoberta aguçou a minha curiosidade. Vai daí, em meia dúzia de pesquisas digitais, consegui reunir alguns dados biográficos do artista visado que agora aqui partilho.

Activo na primeira metade do século XX, José da Costa Vilaça foi um dos que, com a sua arquitectura, marcou a paisagem de Braga do seu tempo.

Entre as suas obras mais emblemáticas, destaca-se o projecto do novo edifício da Fábrica de Saboaria e Perfumaria Confiança, inaugurado em 1921, um exemplar único da arquitectura industrial da época, classificado como monumento de interesse nacional.

Curiosamente, este edifício encontra-se, actualmente, em importante obra de recuperação e reabilitação, que combina a restauração parcial com a construção de um novo corpo que albergará a maior residência universitária pública do país, com uma capacidade de cerca de 750 camas, com inauguração prevista para setembro do corrente ano.

Em 1924, foi responsável pela reconstituição da icónica Casa dos Coimbras, do século XVI, no centro histórico de Braga.

Embora a sua actividade se tenha centrado em Braga, a sua influência espalhou-se pelo Minho, não apenas na área da sua especialidade – a da arquitectura industrial –, como também na área residencial, em cuja modernização se empenhou, buscando o equilíbrio entre tradição local e funcionalidade contemporânea e a adaptação das cidades e aldeias ao crescimento urbano.

Para tanto, utilizou uma linguagem arquitectónica marcada pelo ecletismo tardio (1910-1930), em que privilegiou o uso do granito, em estruturas e molduras, e do azulejo decorativo (marca identitária da época).

Infelizmente, não está feita a inventariação dos edifícios de habitação que José da Costa Vilaça projectou, sobretudo em Braga, como aliás é normal acontecer com este tipo de arquitectos locais.

No entanto, há pelo menos sinais evidentes e sólidos de um conjunto habitacional em S. Vítor, claramente atribuível ao visado, que poderá abrir pistas para outras descobertas.

É esse desafio de inventariação que, em conjunto, lanço à Câmara Municipal de Braga e à Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, com vista à elaboração de um roteiro dos mais emblemáticos e representativos edifícios de José da Costa Vilaça, celebrando e protegendo assim o legado deste notável cidadão e artista.

António Brochado Pedras

António Brochado Pedras

17 abril 2026