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A estação de Sevilha

O caminho bracarense na Liga Europa tem mais uma etapa, com paragem marcada na estação de Sevilha, para a decisão da eliminatória, depois de o empate na Pedreira, entre SC Braga e Bétis, ter deixado o desfecho completamente alcançável pelas duas equipas.

O encontro da primeira mão foi equilibrado, tendo o SC Braga deixado escapar um triunfo que pareceu estar ao seu alcance. Contudo, os arsenalistas do Minho não foram capazes de guardar a preciosa vantagem conseguida na obra de arte concretizada pelo calcanhar de Grillitsch, no dealbar da partida, uma vez que um erro de abordagem individual resultou no golo espanhol, surgido de uma grande penalidade que traiu o bom momento braguista no encontro.

A lesão de Diego, provocada por uma entrada impune do marroquino Sofyan Amrabat — que deveria ter sido expulso com poucos minutos de jogo — é de lamentar. Porém, a pior notícia do duelo seria a grave lesão de Sikou Niakaté, que o vai forçar a uma paragem de vários meses e a uma recuperação difícil, desejando-se que seja completa, numa missão que vai exigir muito sacrifício e a solidariedade de quem percebe, nestas alturas, que um Gverreiro nunca caminha sozinho. Ficam os meus votos de uma recuperação plena, sem pressas.

A meio de uma eliminatória muito importante frente ao Bétis de Sevilha, o SC Braga regressou à Liga portuguesa com a receção ao Arouca. Sem menosprezar o rival arouquense, antes do encontro desafiei Carlos Vicens a rodar a equipa o mais possível, colocando em primeiro plano a eliminatória europeia. O treinador bracarense não discordou da minha opinião e o SC Braga surgiu no relvado da Pedreira com sete alterações no onze inicial. O triunfo tangencial frente à equipa de Vasco Seabra reforçou a quarta posição na tabela e permitiu alguma gestão do plantel por parte do técnico espanhol, com vista ao duelo da Andaluzia. Uma nota negativa para a forma hostil como Cláudio Pereira voltou a apitar um jogo do SC Braga, não se vislumbrando razões objetivas para essa postura, que se está a tornar um hábito.

A mobilização para o encontro de Sevilha já começou há alguns dias. A Legião do Minho marcará presença em número significativo, deslocando-se de avião, de carro ou nos diversos autocarros que percorrerão muitos quilómetros durante muitas horas. A hora é de marcar presença para apoiar uma equipa que joga precisamente no dia em que este artigo é publicado.

O meu apelo vai para a união de esforços de todos, para que a superação seja o ponto de partida de um confronto que será, por certo, exigente, ainda que o lado aleatório do futebol possa, num acontecimento imprevisto ou numa má decisão, provocar o desequilíbrio de um jogo que promete ir até ao derradeiro detalhe na sua definição. A parte sevilhana de verde e branco será invadida pelo vermelho e branco do SC Braga, cujo apoio será certamente reforçado pelos adeptos do Sevilha, eterno rival do Bétis. Acredito que a cidade andaluza ficará com mais encanto vestida de vermelho e branco.

Espero que a equipa de Carlos Vicens perceba a relevância do momento atual e que o desempenho em campo permita que o SC Braga continue em prova na Liga Europa, mandando de regresso ao Minho os adeptos de coração cheio. Queremos continuar a sonhar juntos, depois de superada a estação de Sevilha, nesta caminhada que pode entrar na História centenária bracarense.

António Costa

António Costa

16 abril 2026