Dos eleitos pelo voto popular não se vislumbra qualquer alteração na postura e atitude, enquanto prestadores do serviço público ao país e à democracia. Fala-se muito em triagem partidária no sentido de captar pessoa honestas e responsáveis, com vista a reforçar a credibilidade dos Partidos Políticos, mas é algo que se vem mostrando extremamente difícil, para não dizer impossível, dada a complexidade que envolve as oscilações da mente humana perante as ocasiões surgidas.
Daí, o dito popular: “até no melhor pano cai a nódoa”. Ou seja, o neopolítico que, à partida, parece oferecer toda a confiança a quem aposta nele, pode acabar por desiludir o apostador. É por isso que tanto se fala numa espécie de “crivo” que vise filtrar a entrada de militantes nas nossas instituições partidárias. Só que tal triagem se não é exequível, é pelo menos difícil. A não ser que, um dia, a inteligência artificial possa vir a fazê-la. Entretanto, só nos resta continuar a ver os Partidos a aceitarem tudo o que venha à rede.
Ora, sabendo nós que o lado oculto do ser humano se pode vir a revelar, de forma inusitada, em qualquer pessoa que entra para um Partido, há que contar com a possibilidade de ser alguém desprovido do espírito de seriedade, compromisso e serviço. De pouco valendo a garantia de um trajeto político irrepreensível em prol da agremiação se, ao ser posta à prova, o seu comportamento se vier a revelar o de uma autêntica “sanguessuga” dos cofres do Estado.
É que se alguém de tal calibre é nomeado para um cargo de topo partidário e mais tarde para o Governo, os atos criminosos que venha a praticar não só minam a credibilidade do povo nos políticos, como a confiança dos cidadãos. Já que o dinheiro que é surripiado aos contribuintes lusos, em forma de obrigações fiscais, se por um lado passa a entrar direitinho nos seus bolsos, por outro arreda gente sábia, séria e leal à Pátria dos meandros do poder.
Com efeito, vivemos num tempo do salve-se quem puder. Em que as bandeiras da ganância e do enriquecimento rápido, muitas vezes ilícito, nunca foram tão agitadas como agora. Porque aquilo que é preciso é chegar ao topo de um “tacho” na política. Uma leva de aparente gente de bem, mas que uma vez chamada a governar se deixa envolver em casos, casinhos e casões de ordem milionária. Todavia, a sua investigação e o arrastamento dos processos nos tribunais, por largos anos, se tornam num outro roubo ao estado.
De facto, têm sido demasiadas as ilegalidades com os dinheiros públicos em Portugal. Não só a nível das instituições do Estado, como no Poder Local. Onde impera a corrupção, o compadrio, amiguismo, abuso de poder e o afamado “jobs for the boys”. Coisa que poderá vir a aumentar, caso venham a ser criadas as Regiões Administrativas. Antevendo-se mais encargos não só com o pessoal adstrito aos altos cargos, como ao auxiliar afeto aos Partidos Políticos. Algo que irá duplicar não só a burocracia, como as bolsas de corrupção.
Porém, se o Poder Judicial continuar como a cobra a morder só os pés-descalços, deixando para as calendas os processos-crime de lesa-Pátria, bem os Partidos da democracia continuarão abertos ao “chico-espertismo” nas suas fileiras. Já que sem o exemplo de um julgamento e a respetiva condenação com mão pesada do juiz, bem o país continuará a soldo de novos prevaricadores. Pois estes já sabem que, se algo correr mal, ficarão impunes e protegidos pelos seus, à espera de novas incursões.
Assim sendo, resta aos portugueses aguardarem que o Presidente da República, dr. António José Seguro, passe das promessas aos atos e efetive o tal “pacto” de regime para a reforma da Justiça. É que se a coisa continuar a passo de caracol, temo bem que tudo fique tal qual está e as oportunidades de investimento externo se percam por não haver a mínima confiança nas instâncias judiciais em Portugal. Pelo que continuaremos a levar em cima com arrotos daqueles que se lambuzam no pote do tesouro público.