Devido à guerra iniciada pela Rússia, Estados Unidos, Israel e outros conflitos sociais, afirma o povo que os respectivos líderes estão loucos ou se encarnou neles o Diabo. Mas o Diabo existe e actua? Vejamos.
O Diabo foi banido, nas últimas décadas, das pregações do mundo católico, mas o Papa Francisco desafiou o inimigo n.º 1 do catolicismo, por duas vezes.
No início do seu pontificado, a 14 de Março, na Capela Sistina, citou o escritor francês Léon Bloy: “Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo.” E logo a seguir, acrescentou: “Quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do Diabo.” No dia seguinte, voltou à carga e deixou um aviso sério aos cardeais: “Não cedamos nunca ao pessimismo e à amargura que o Diabo nos oferece.”
A batalha não ficou por aí. Poucos dias depois, Francisco relembrou o Demónio, num discurso dirigido aos jovens. “E nestes momentos vem o inimigo, vem o Diabo, muitas vezes disfarçado de anjo e ardilosamente nos diz a sua palavra. Não o escuteis”.
Mesmo antes de chegar à Cátedra de São Pedro, e quando era cardeal, Bergoglio já falava publicamente do Demónio. Ainda em Buenos Aires, chegou a atribuir a aprovação do casamento gay às manobras do inimigo. Em 2010, o então Papa, escreveu às carmelitas argentinas, pedindo-lhes que rezassem: “Não sejamos ingénuos. Esta não é uma mera luta política. Trata-se de uma proposta destrutiva do plano de Deus. Não é uma mera proposta legislativa (essa é apenas a forma), mas uma medida do pai da mentira para confundir e iludir os filhos de Deus.”
As primeiras abordagens de Francisco aos assuntos demoníacos passaram despercebidas, mas o exorcismo que terá feito na Praça de São Pedro, acordou a opinião pública.
“A pregação sobre o Demónio ou sobre o inferno quase desapareceu das homilias e ganharam força questões politicamente correctas, como “a doutrina social da Igreja”, confirma um sacerdote. Mas nem por isso os padres católicos passaram a negar a existência do Demónio e todos os papas têm repetido – uns mais discretamente do que outros – a doutrina tradicional da Igreja, que preconiza que o Diabo existe e escraviza.
O Papa que mais se referiu ao Demónio foi S. João Paulo II. Mas a expressão mais célebre na história da relação entre o Vaticano e o Diabo pertence a Paulo VI que, em Junho 1972, chocou a imprensa internacional. “Tenho a sensação de que o fumo de Satanás entrou no templo de Deus através de alguma fenda”, disse, referindo-se à crise da Igreja, saída do Concílio Vaticano II e à perda de influência no mundo moderno.
A tirada rendeu-lhe dissabores na opinião pública, mas mesmo assim, Paulo VI insistiu e, numa longa homilia dedicada aos perigos do Demónio, avisou os católicos de que o Diabo não é um mito. “Devemos lutar contra o demónio. Quase ninguém pensa nele”.
A história, revelada num dos livros do exorcista de Roma Gabriele Amorth, é muito semelhante à que se conta sobre o exorcismo do Papa Francisco. A rapariga foi levada à Praça de São Pedro para assistir à audiência semanal de João Paulo II, depois de vários exorcistas terem desistido do caso.
João Paulo II não fez o ritual completo: abeirou-se dela, abraçou-a e rezou. Mas este não foi o seu primeiro exorcismo: a estreia terá ocorrido ainda na década de 1970, mas pouco se sabe sobre o caso. Já sobre a segunda experiência de João Paulo II há muitos detalhes que ficaram para posteridade.
Um cardeal francês, Jacques Martin, contou tudo nas suas memórias. Wojtyla terá exorcizado uma mulher chamada Francesca. Durante horas, desfiou orações sem sucesso. Até que lhe disse: “Amanhã rezarei uma missa por ti”. O cardeal conta que Francesca voltou a si nesse momento. Um ano depois, já curada, foi recebida, com o marido numa audiência papal.
Bento XVI falou poucas vezes no Demónio. Mas em Agosto de 2014, em férias, disse: “A mentira e a falsidade são a marca do diabo”.
Mas então, terá razão o povo em chamar de loucos ou possuídos pelo diabo, os líderes das guerras que estamos a viver neste século XXI? Que pensar dos milhares e milhares de mortos da Rússia, da Ucrânia, de Israel, do Irão e da Palestina?
Que pensar das modernas fábricas de sofisticado armamento (para matar); da fome programada por estas guerras no mundo; pela evidente selvagem economia; pelo altíssimo consumo de droga e mais outras desgraças que se vivem actualmente?
Não será verdade que o homem faz cada vez menos o que Deus quer e não faz cada vez mais (o homem) o que o diabo gosta?
Na verdade, “Deus resgata e o diabo escraviza e leva (os soberbos) à danação”.
*(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)