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A muralha da afirmação

SC Braga dorme atualmente no quarto (lugar), cujo conforto lhe permitiu não jogar na última jornada sem que a sua posição tenha ficado em risco. Assim, quando o clube bracarense acertar o calendário, em abril, frente ao Casa Pia, poderá até melhorar a distância pontual. Contudo, ainda falta muito tempo para esse jogo, pelo que quaisquer considerações sobre ele serão meramente especulativas.

A censura obscena da Polícia de Segurança Pública (PSP) à tarja elaborada pelos elementos das claques, que seria apresentada no passado dérbi contra o Vitória SC, representou um desrespeito pelo trabalho árduo realizado por aqueles elementos, de forma totalmente gratuita e apaixonada. O SC Braga e o futebol em geral também não foram respeitados por aquele subintendente, André Carvalho, que comandou as forças policiais nesse famigerado dia em que a Democracia chorou, devido ao duro golpe infligido a direitos elementares que ela defende. Os seus superiores hierárquicos deveriam ter corado de vergonha por esse ato miserável, resultante da decisão aberrante de impedir a exibição de uma tarja, sob pretextos absolutamente ridículos e mutantes ao longo do tempo. Os comunicados oficiais da PSP apenas agravaram a situação, sempre que eram tornados públicos.

A imagem da Polícia de Segurança Pública voltou a ser manchada pelos atos de violência registados, de forma absolutamente gratuita e aleatória, vindos de uma entidade que deveria merecer o respeito de todos nós, mas cuja atuação, por diversas vezes, atropela esse valor. Armados até aos dentes, de cara tapada e capacete na cabeça, os agentes policiais revelam, não raras vezes, impreparação para lidar com situações de stress e pressão, fazendo da violência uma arma de arremesso entre si e o público em geral.

O SC Braga tomou posições públicas de exigência em defesa dos seus adeptos, vacilando apenas num comunicado posterior conjunto com a PSP, que mais se assemelhava a um conjunto vazio, como se pode observar na Matemática.

A visita exterior à bancada nascente permite agora contemplar a tarja que foi alvo de censura e que surge exposta sob a forma de exaltação dos valores do clube e das gentes brácaras. Esta exposição, agora permanente, pode e deve igualmente ser observada pelos jogadores e pela equipa técnica, sempre que surja alguma dúvida quanto aos valores que devem nortear a união entre a cidade e o clube. Não pretendo, com isto, restringir a abrangência do SC Braga, cujas fronteiras se têm alargado significativamente nas últimas décadas, com um crescimento assinalável das suas bases de apoio efetivo.

A parte posterior da bancada nascente foi, assim, transformada numa verdadeira sala de exposições permanente, onde se encontra agora exposta a tarja que representa oficialmente a “Muralha da Liberdade”. Ainda assim, vou mais longe e considero-a a “muralha da afirmação”, desde logo de valores relevantes que devem ser exaltados e da ligação histórica que se fortalece, dia após dia, entre o SC Braga e as suas gentes. Os meus parabéns aos autores da tarja, que foi muito além do que alguma vez imaginou o senhor André Carvalho, bem como aos responsáveis do clube pela visibilidade concedida a um trabalho de excelência e de enorme dedicação.


 

António Costa

António Costa

19 março 2026