Caminhamos para um mundo cada vez mais de muros em vez de um mundo cada vez mais de pontes; e enquanto as pontes abrem espaços ao convívio, ao diálogo, à solidariedade e à paz, os muros fecham portas a todas as veleidades de convivência, repartição e urbanidade.
Daqui resulta a transformação do mundo numa selva de violências, explorações e medos; e a esta verdade não são alheios os alçapões, as barreiras, os não-lugares.
Nunca como hoje as pessoas vivem silenciosas, ausentes, como autênticos autómatos; e, mesmo no meio umas das outras, ou por vontade própria ou alheia, por força de estruturas criadas pelos homens ou alienadas pela Natureza, cada vez mais cercadas estão de vazios e opressões, de monólogos e indiferenças, naquilo a que se chama viver sozinho no meio da multidão.
E pensarmos nós que viemos dum tempo em que as portas das habitações dificilmente ou quase nunca se fechavam à chave; e, até, comunidades humanas havia, sobretudo, em aldeias mais longínquas, isoladas e distantes cujas portas de casa permaneciam sempre franqueadas e abertas, obviamente, num convite permanente à convivialidade, à familiaridade e ao estreitar de boas relações de vizinhança.
Pois bem, se nos dermos ao trabalho de ir à procura das causas que abriram portas a esta situação de muros em vez de pontes, à frente de todas elas estão as redes sociais; e porque se olharmos à nossa volta, facilmente nos esbarramos em situações, quer sociais, quer familiares onde imperam as barreiras do mutismo, do alheamento, da surdez a tudo quanto se desenrola à volta das pessoas.
Também os avanços extraordinários da tecnologia fazem com que se criem meios que por si só, substituem o homem, fazendo os seus trabalhos mais variados e onerosos; por exemplo, vão já surgindo nas grandes superfícies comerciais, tipo hipermercados, máquinas automáticas que dispensam operadores e, assim, permitindo que os clientes se abasteçam dos bens necessários e façam os respetivos pagamentos da despesa sem a intervenção de qualquer funcionário.
Ainda, o encerramento que tem acontecido de variados serviços públicos como, por exemplo, agências bancárias, delegações de comunicação social (jornais, correios, estações de meios audiovisuais, por troca de meios de comunicação à distância), obviamente, sem a presença humana que aconselha, ajuda, troca de impressões, sorri são um convite à solidão, ao vazio cada vez maior das pessoas; e, sobretudo, porque sabemos por experiência da vida que as pessoas cada vez mais precisam de interagir, de se abrirem ao diálogo e de conviver, estas realidades são mesmo um rude golpe na sua saúde física e mental.
pode carregar com a trágica realidade de consentir no seu seio seres humanos mudos, surdos, autómatos, apenas, entregues à triste condição de servos e escravos da tecnologia que lhes entra em casa com o poder enorme de comandar corpos e mentes, exigir serventia e, mais dramático ainda, ser um meio educativo por excelência.
Então, até de hoje a oito.