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Primeira preocupação de quem escreve

Penso que a primeira preocupação de quem escreve (sejam grandes livros de biblioteca ou croniquetas de bolso para entreter os ócios de quem as lê) é intervir, participar, estar presente na vida da comunidade a que pertence; e deveria mesmo ser alargada, sempre que possível e desejável, tal participação como uma forma de intervenção na vida da própria humanidade.

Escrever para os outros, sobretudo para os que não têm vez nem voz (e quem escreve não o deve somente fazer por gosto e deleite próprios), é ser uma espécie de barómetro das emoções, apetências e necessidades dos seus leitores; todavia, o que muito por aí se vê, é certos jornais e jornalistas que assim não pensam nem agem, praticando um jornalismo interesseiro, bacoco, fulanizado e a reboque de interesses comezinhos e louvaminhas larvares.

Claro que a disponibilidade de quem escreve para dar a tal vez e voz aos que as não têm, pressupõe muitas vezes a crítica, a chamada de atenção aos poderes públicos instalados, locais ou nacionais; embora, quase sempre, uma crítica ou chamada de atenção, em jeito de acicate, ou ralhete está na certeza de que se cumpre o consignado preceito, sagrado em jornalismo, autêntico e puro, e que mais não é do que a independência, isenção e zelo doa a quem doer.

E isto porque quem governa, dirige ou anima tem obrigação institucional de fazer o melhor que pode e sabe; e, obviamente, sem esperar ou regatear benesses ou encómios, seja de que natureza for; depois, é válido dizer-se que mais não faz do que cumprir o seu dever já que foi escolhido pelo povo e é pago e bem pago com o seu dinheiro.

Tal e qual como estas NORTADAS que outra função lhes não assiste que não seja a de estarem sempre (mal ou bem e, mais ou menos, oportuna ou inoportunamente) ao serviço da comunidade, embora por aí inda haja muito zoilo que tal não pensa, nem aceita e tanto zarolho que tal não vê; mas, quero eu que isto aqui fique hoje bem claro, para que se não confunda, como por vezes é lei, serviço com conhaque e não conhaque com conhaque e serviço com serviço, que, no fundo, é como quem diz trabalho em prol do bem comum mas sem as malfadadas, estafadas, renegadas maleitas da partidarite política.

Depois, é preciso que se saiba e afirme, alto e bom som, que os homens e as instituições valem mais por aquilo que são e representem, do que por aquilo que delas fazem ou pretendem fazer certos zoilos, muitas vezes a troco de fatuidades, objetivos invisíveis e vilezas embuçadas, e isto vê-se, tem-se visto frequentemente muito na forma como certos homens querem, a todo o custo e preço, controlar e dirigir a informação pública para que esta lhes sustente o poder, os interesses, a vaidade e as manipulações.

Todavia, vai passar ainda algum tempo, talvez tempo demais, direi confiadamente, para o que de justo, desejável e válido se deseja, até que a maioria da informação e comunicação, falada e escrita, cumpram a sua verdadeira missão de formar e informar com isenção, independência, zelo e pedagogia, pois isto é o que se pauta como uma conquista, verdadeiramente a favor do povo e do país.

Agora, penso e creio que tal acontecerá mesmo, apesar dos desmandos que por aí passam nas redes sociais, porque as máscaras vão caindo a esses tais atores, maus atores da falsa, manipulada e vezeira informação; é que tais mascarados começam a tropeçar nos próprios erros, a enredar-se nas próprias armadilhas, a caírem nos próprios alçapões.

E, somente assim será que isto vai, tenho a certeza que vai; porque o povo, embora muitas vezes pareça, não dorme e muito menos de olhos abertos e bem abertos como já os vai tendo.

Então, até de hoje a oito.

Dinis Salgado

Dinis Salgado

11 março 2026