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Como o PSD de Braga passou a figurante no palco distrital

As eleições internas no PSD chamaram atenção dos media por algo que seria natural, a sua disputa em Braga. Não foram quaisquer vinganças ou guerrinhas. Foi a democracia interna que é alternativa, pluralidade, ideias diferentes, pensamento refletido e crítico, ainda que convergente com os alicerces do partido, a linha orientadora deste. Se não houver democracia em casa, na rua é só encenação. O pensamento único, a unicidade, os comités centrais, não são o ADN do PSD. Pretender alterar esta dinâmica, apagará raízes que todos evocam, mas que muitos não querem semear. É por isso incompreensível ver-se, numa discussão democrática, um qualquer ataque. Aliás, só uma visão redutora o pode conceber. Passar-se do confronto político e debate das ideias para o plano pessoal é o caminho mais próximo de, ultrapassadas umas eleições, não se lograr a reunião de sensibilidades na comunhão do interesse maior e comum, o servir o país, os portugueses. Não se trata de visões opostas, são caminhos diferentes com o mesmo destino. Não é desunião, mas clarificação. Não é afronta a nada ou a alguém, é opção democrática. Não é excluir, é agregar. É olhar e construir da base para o topo e voltarmos aos militantes, acarinhar os que se desmotivaram ou alhearam. É incutir a mobilização no pressuposto de que todos importam, muito além da quota ou do voto, e abrir as portas para chegarmos ao país de quem trabalha, pensa, constrói e acrescenta. Falou-se na necessidade de não se dispersarem energias, mas muitos deviam morder a língua, porque não o entenderam desta forma lá atrás quando, estando o PSD na oposição, não se abstiveram de questionar abertamente a liderança. Não se percebe esta dualidade quando estamos num lado ou noutro! E, pelo contrário, é sobretudo em épocas que o PSD está no governo que não deve fechar-se numa redoma, relaxar, acomodar-se, sob pena de secar, ficar amorfo e a apatia instalar-se. É o que nos diz o passado, é o que se provou no presente descendo-se à distrital de Braga. Muitos se admiraram das votações massivas de dois ou três concelhos. O de Braga ficou para trás, tornou-se irrelevante no contexto político distrital. Parece um paradoxo, quando temos tido vários protagonistas na cena nacional e destaque merecido, mas é o resultado da cristalização da militância. Desde há anos – lembro-me de o afirmar num Plenário de Secção em 2017 entre aplausos e acenos de concordância – que falo da desmotivação da militância. Era preciso chamar ao partido, fazê-lo pulsar, fervilhar de ideias, ter iniciativa que envolvesse as pessoas, trazer para o seu seio, fazerem sentir a sua utilidade, que são uma voz. Na altura disse: “se continuarmos a olhar para o lado, definhamos”. Mas continuamos, apesar de sucessivos manifestos eleitorais sobre a necessidade dum PSD mobilizado e afirmativo na sociedade bracarense. Braga concelho, deveria liderar o número de militantes ativos e de votantes, mas nestas eleições ficou singularmente atrás de Barcelos, Vila Verde, Famalicão. Afinal, os militantes interessam. Não se ganham batalhas só com generais! Não sei se é estratégia, se falta dela, se foi pensado ou negligenciado. Mas não se pode atacar o vizinho por ter sido mais ativo, por ter promovido uma maior militância, passar culpas e não olhar para si mesmo. O que sei é que menos militantes, menos votos, menos voz. Há momentos em que se deve parar, refletir e mudar de rumo. A mesma receita deu errada, não vai dar certo apenas porque se insiste. Tudo deve ser visto com serenidade e naturalidade, porém. O mesmo se exige perante o questionamento – foi público e publicado – da exclusão duma candidatura junto do “tribunal” do partido e que parece dar celeuma. Quem pede união e lealdade, não pode gritar contra a exigência de rigor nos procedimentos que evita o livre arbítrio, e como se esta se resumisse a desafio. É inusitado que alguns que não conhecem os factos e a sua sustentação jurídica, lancem palpites ou anátemas gratuitos ou, mais grave, sabendo-o, o façam.

António Lima Martins

António Lima Martins

11 março 2026