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«Eu confesso-me a Deus»

Da boca de quem não se confessa é frequente ouvir dizer que se confessa a Deus. E quem se confessa, confessa-se a quem? Obviamente, a Deus. 

Nem poderia ser de outra maneira. Só Ele tem poder para perdoar. Apenas Ele tem autoridade para garantir: «Os teus pecados estão perdoados» (Mc 2, 5).


 

Acontece que foi o próprio Deus que, através do Seu Filho, confiou à Igreja a missão de perdoar. 

Esta, na pessoa dos Apóstolos, recebeu tal incumbência logo no dia da Ressurreição: «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20, 23).


 

Aliás, o primordial perdão dos pecados ocorre no Sacramento do Batismo (cf. At 2, 38; Mc 16, 16). 

Aí as pessoas são batizadas – logo, perdoadas – pelos Apóstolos «”em nome” do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (cf. Mt 28, 19).


 

Do mesmo modo, não é ao sacerdote que nos confessamos; confessamo-nos a Deus através do sacerdote. 

E, em conformidade, não é do sacerdote que recebemos o perdão; é de Deus que recebemos o perdão através do sacerdote.


 

Sendo assim, porque é que muitos, que não questionam o perdão recebido mediante a Igreja no Batismo, contestam a necessidade de receber o perdão mediante a mesma Igreja no Sacramento da Reconciliação?

Provavelmente pelo embaraço da confissão dos pecados por uma mediação humana. Mas é igualmente por isso que há uma espécie de «lei-travão» que impõe – sem qualquer exceção – sigilo absoluto ao mediador do perdão de Deus.


 

Que se saiba, em dois mil anos este preceito nunca foi quebrado. Nunca sacerdote algum violou o segredo da confissão. 

Pelo contrário, há muitos que – pressionados e ameaçados – foram mortos por não revelarem o que ouviram. 


 

Sabem, por exemplo, a razão de São João Nepomuceno ser o padroeiro e protetor dos que trabalham nas pontes? 

Porque foi atirado de uma ponte abaixo por se recusar a revelar ao rei o conteúdo das confissões da rainha.


 

Alega-se ainda que não faz sentido confessar-se com alguém que é tão ou mais pecador do que o penitente que dele se aproxima. 

Quanto a isso, basta notar que os padres também se confessam. O Papa João Paulo II até se confessava todas as semanas. Mas, por muitos pecados que um padre tenha, não é ele que perdoa; é Deus que oferece o perdão por sua intermediação.


 

Daí que, além de um gesto de humildade, constitua um profundo ato de fé abeirar-se de um sacerdote e «ver» nele, não obstante as suas debilidades, a pessoa de Cristo.

Foi Ele que assim determinou e é a Ele que devemos seguir. 


 

Primeiro, porque o «discípulo não é superior ao Mestre» (Mt 10, 24).

E depois porque, fazendo a vontade do Mestre Jesus, uma grande paz nos invade. Mesmo no momento em que confessamos as nossas falhas. Acreditem!

João António Pinheiro Teixeira

João António Pinheiro Teixeira

10 março 2026