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Um tempo ainda para reflectir e um personagem para esquecer

 


 

 


 

A oposição especializou-se em complicar. E a propor medidas despesistas. Acontece no Governo Central e também se verifica nas autarquias. A oposição lusa parte da ideia errada que é desta maneira que conquista a simpatia e, daí, o voto do eleitor. Pensa também que ao propor ou a exigir essas medidas fragiliza o executivo. A oposição já deveria saber, pela larga experiência acumulada, que este engodo não leva a lado nenhum. Deveria saber que o eleitor actua, hoje, com outro discernimento e sabe perfeitamente separar as águas. Já não vai na treta fácil da ideologia da distribuição, porque sabe que não há almoços grátis. 


 

1 - Se bem me recordo, o famoso António Costa, o tal especialista das habilidades, o autor da criação super-genial da geringonça, avançou, garboso, com medidas fora da caixa reformista imposta pelos credores no tempo. Tempos esses muito difíceis para o país, para as empresas e para as pessoas. Para resolver este intrincado problema financeiro, os credores exigiram medidas duras (reformas) para recolocar o país na linha da responsabilidade, da contenção e do equilíbrio das contas. Costa, um político “bluffista”, numa atitude irresponsável, começou a “festa esquerdista” por descer a carga horária dos funcionários públicos para as 35 horas/semanais com particular destaque para os médicos. A ambição desmedida que o alimentava, fez-lhe não se aperceber no sarilho em que iria meter o país. 


 

2 - O que deu, em suma, esta medida, fora do tempo, na Saúde? A evidência está à mostra: comprometeu e congestionou fortemente o SNS; a despesa pública dobrou o valor; instalou o caos nos Hospitais e nos Centros de Saúde; criou a figura de médico-tarefeiro.


 

3 - Em vez de continuar o processo de reformas de Passos Coelho, optou pela linha das promessas e das reversões verdadeiramente incríveis e fantasiosas. Na política é preciso ter a noção da realidade. O país precisa de REFORMAS como pão para a boca. De modernizar a máquina do Estado. A conquista do poder não pode ser o único objectivo a atingir. A solidez do país deve estar, aliás, tem que estar, à frente de todas as ambições e desejos. Costa ficou cego, quando conseguiu o poder por linhas travessas. Criticou severamente as vitórias “poucochinhas” de António José Seguro. Mas, perdeu logo a seguir. Com o governo na mão, juntou-se a quem não devia. Reverteu políticas que não lembravam ao diabo. Fragilizou os serviços públicos como ninguém. Escancarou as portas da imigração, causando problemas sociais, habitacionais, sanitários, educativos impensáveis. Tudo num tempo em que o país começava a respirar um pouco de ar mais oxigenado e aliviava uma carga pesada de austeridade imposta por quem pôs aqui 78 mil milhões de euros.


 

4 - Dizem os meus amigos neo-socialistas que esta narrativa é do passado e que o Costa já foi julgado nas eleições legislativas. Ora, esta negra história do bluff não é passado, de modo nenhum, pois está ainda bem entranhada no viver das pessoas, coarctando as suas legítimas ambições. Costa não foi julgado como devia ser. Deixou o berbicacho do legado desastroso para o seu “delfim”, PNSantos, que foi a vítima do descalabro, sendo este, nas legislativas, copiosamente derrotado. Costa fugiu ao acerto de contas e pôs-se a milhas, amparado por um parágrafo, para os aposentos bem remunerados de Bruxelas. 


 

5 - Vem estas reminiscências a propósito dos elogios da cúpula do PS a Passos Coelho. Quem diria tal coisa?! Passos Coelho, o diabo em pessoa; o político que queria levar os portugueses à miséria; o insensível que convidou os professores lusos e outros a emigrarem; o líder que queria ir além da Troika, hoje a ser elogiado pelo secretario-geral do Rato?! Até o comentariado esquerdizado se rendeu aos feitos de Passos Coelho, dando a ideia que o querem de volta como primeiro-ministro. Ou será uma armadilha para fragilizar Luís Montenegro? Talvez mais esta!

O mundo está mesmo estranho! Muito estranho com muita lata e com caras-de-pau para animar a festa!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

8 março 2026