Uma das mais importantes decisões que Braga tem neste século de acompanhar — e influenciar — é a da localização da estação de alta velocidade. Pode parecer um tema que apenas interessa àqueles que se dirigem regularmente para fora do país ou até da Península. Todavia, a localização da estação no ponto certo ou errado vai determinar não só o nosso dia a dia, como o de milhares de pessoas que aqui se deslocarão para apanhar um comboio que pode ter como destino uma cidade em Espanha ou no Algarve ou somente a zona do Porto aqui ao lado. Posicionar a estação num extenso vale agrícola desabitado, desligada da zona urbana e da linha atual, ou trazê-la para o eixo ferroviário atual mantendo a capacidade de assegurar ligações aos concelhos próximos faz toda a diferença. Leio também notícias que dão conta de uma ligação em BRT a Guimarães — sem que se explique que é apenas um autocarro pela estrada nacional — ou da necessidade imprescindível de uma circular externa na cidade — sem que se mencione que vias vai libertar para outras funções ou modos. E tendo estes projetos implicações para lá do concelho, é notório que Braga não tem querido — nem sabido — ser porta-voz do Minho e do Noroeste.
Não percebo como não se reage à ideia de uma estação de alta velocidade desligada para sempre da atual ou à forma como se deixam cair os milhões que a pretexto do BRT permitiriam modernizar as principais avenidas de Braga (mesmo que a explicação me parece óbvia: apesar de o BRT ter sido tantas vezes anunciado como estando iminente, pouco tinha, de facto, sido feito). Nenhuma destas grandes opções tem sido discutida publicamente pelos políticos, designadamente pondo em cima da mesa, com transparência e sem receio, os custos e benefícios de cada uma delas e as alternativas.
Há ainda os problemas locais por resolver: uma mobilidade centrada no automóvel particular, com uma rede viária confusa — incluindo as vias rápidas —, transportes urbanos sem vias dedicadas, vias cicláveis desconectadas e pouco abrangentes e um ambiente urbano que, com exceção quase só do centro histórico, desincentiva qualquer deslocação a pé. Braga está claramente desatualizada e vem fingindo que se moderniza com obras dispendiosas como as da Avenida da Liberdade que concentram recursos e mantêm inalteradas, a escassos metros, soluções perigosas e antiquadas.
O resultado das últimas eleições autárquicas ditou uma Câmara e uma Assembleia municipais divididas por várias forças políticas sem uma maioria evidente. Ao contrário do que possa parecer, o espartilhamento deve ser a base para se conseguir, primeiro a discussão e depois um compromisso, quanto ao estabelecimento das linhas gerais para a mobilidade no concelho e à ligação deste à região noroeste. E se não for a força mais votada a dar o primeiro passo — como ditaria o bom senso —, que seja a oposição a iniciar o debate. O que me parece evidente é que não podemos continuar a desperdiçar outra década com soluções avulsas, desistindo da defesa dos interesses das populações da nossa região.