Dizia-me há dias uma professora de matemática que os seus alunos do 12º ano não sabem ler, alguns apenas soletram e acrescentou: se eu lhes ler o enunciado e lhes interpretar o que se pede, logo eles dizem, “não diga mais, já percebi. Já há uns tempos que neste espaço eu tive o atrevimento de afirmar que a resolução de uma qualquer questão matemática estava na interpretação daquilo que se pedia. Ouvi há dias um professor universitário dizer na televisão que tinha alunos que soletravam. Ora se o aluno ainda está neste estádio de desenvolvimento da língua portuguesa, não saberá resolver as coisas mais elementares porque não sabe o que se lhe pergunta. Então o que se passa nos alicerces da escolaridade? Será uma nova pedagogia que se satisfaz apenas com a exploração da predisposição do aluno para aprender? Onde moram aqui os objetivos de criar uma base sólida para prosseguir estudos cada vez mais complexos mas todos tendo uma base de conhecimentos que os sustente? A escola da régua é acusada de obrigar a memorizar rios, serras e reis. Disseram que esta escola castrou os alunos remetendo-os apenas para a memória, sem lhes desenvolver o raciocínio. E que mais valia um aluno predisposto a saber do que um aluno sabedor. Julgo que estamos com a atual escola básica nos antípodas da escola da régua. É verdade, mas a escola da régua deu aqueles que hoje são os chefes do país, sem traumatismos ou distorções psicológicas e nunca chegariam ao superior a soletrar os enunciados das perguntas. Se uns eram de mais temos que concluir que agora é de menos. Os de mais deu os homens que agora exigem de menos; mas se os primeiros encaixaram na sociedade existente à altura, e fizeram as suas licenciaturas, agora tenho as minhas sérias dúvidas. A escola da predisposição para aprender está sem alicerces. Sem bases sólidas, que escola superior poderemos construir? Poderá um pai ficar satisfeito, e julgar que tem um filho prodígio, porque ele até já sabe usar o computador, mandar mensagens, receber e retribuir mails, utilizar as redes sociais e enviar respostas? Está enganado, porque para usar estes instrumentos tecnológicos basta decorar onde há de pisar a tecla. Não existe nestes saberes nada que faça funcionar a cabeça do seu filho, nem memória nem inteligência, apenas espertezas que o hábito produz como recurso. Está a torná-lo um mero repetidor de gestos e mais, está a habituá-lo a uma preguiça mental que vai ter repercussões sérias no seu desenvolvimento como sujeito. Há alunos que, para somar um mais um, vão à calculadora!!! Esta verdade de hoje pode vir a tornar-se o pesadelo de amanhã. Um amanhã que tentará esconder os coveiros.