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O “despertar” europeu

 



 

 

Um grande incêndio pode começar por um fósforo que se acende. Assim como uma simples perceção pode espoletar uma guerra. Ou seja, se um pequeno chamiço pode causar a destruição da natureza e bens materiais, já uma ideia, por vezes falsa de que nos querem tramar, pode dar azo a um conflito de consequências imprevisíveis. Dado que o fogo e a guerra andam irmanados na destruição e morte. Daí, que nós europeus estejamos hoje perante a possibilidade eminente de nos vermos envolvidos num conflito que não desejamos. Porém, se como alguém um dia disse ser em tempo de paz que se cometem muitos disparates, a guerra é o preço que pagamos por eles. 

Pois bem, as imagens que nos chegam todos os dias da Ucrânia, desde há 4 anos, deveria ser o suficiente para se interromper este aparente “eterno descanso” que se vive no seio da União Europeia (UE) em relação à defesa de todos os países-membros. Isto, porque alguns dos responsáveis políticos que os vêm governando, têm andado entretidos com experimentações de uma agenda que vem dando cabo dos valores que estiveram na sua génese. É que o pessoal andou fiado em que os Estados Unidos da América (EUA) protegeriam os territórios europeus e as suas populações, mas enganou-se. 

Com efeito, recostados à sombra do “castanheiro” americano, desde 1945, e sem que nenhuma liderança ou entidade europeia previsse, eis que cai um “ouriço” no toutiço da Europa. Refiro-me ao maníaco compulsivo e Presidente, Donald Trump. Um agitador que veio abanar os europeus da letargia em que têm andado adormecidos. De tal forma que a Chefe da Diplomacia Europeia, Kaja Kalas, se viu na necessidade de vir dizer que que as Forças Armadas (FA) dos Estados-membros da EU se devem reforçar. 

Trump, um boçal de todo o tamanho, se não tem mérito por mais nada, teve-o em ter posto os países ocidentais a mexerem-se em termos de políticas militares de defesa. Tanto assim, que fez com que as quotas dos aliados para a NATO aumentassem para 5% do PIB, até 2035. Algo a que, como cordeirinhos, todos aderiram. Porquê? Porque há a certeza de que sem a hegemonia dos EUA nem ela, nem a ONU funcionarão. 

É que andamos todo o tempo complacentes a assistir, impávidos e serenos, à corrida ao armamento de países como a China, Rússia, Coreia do Norte, Irão e outros, enquanto os europeus andavam mais entretidos com as causas do wokismo. Agora, devido aos abanões de Trump correm, num frenesim, a militarizarem-se a todo o gás. 

Foi preciso os russos invadirem a Ucrânia para todos ficarmos a saber que os nossos dirigentes, em vez de terem percebido o que se estava a passar no terreno, ignoraram o perigo. Nem tiveram a noção de que os signatários de tais arsenais bélicos não os produziam só para testes experimentais, mas para algo bem mais agressivo. Não fosse o patriotismo, coragem e resiliência dos ucranianos e teríamos as tropas do Kremlin a prosseguir para outras paragens deste velho continente. É que se a UE não abrir as trapeiras e começar a cuidar-se, será alvo fácil dos predadores.

Ainda me recordo de ter visto nos jornais, em setembro do ano findo – nas comemorações dos 80 anos da vitória da China sobre o Japão durante a 2ª Guerra Mundial – a foto dos três “pilantras” unidos, na Praça Tiananmen: o líder chinês, Xi Jinping; o russo Vladimir Putin e o norte-coreano, Kim Iong-Un, dispostos a darem corpo a uma nova ordem mundial.

Tendo o Presidente anfitrião, daquele país asiático, declarado perante 200 Chefes de Estado e 50.000 espectadores, ali presentes, que o mundo enfrenta duas escolhas: – “a paz ou a guerra”. Como se todo aquele arsenal (de milhares de armas e homens armados a desfilar) fosse para as 80.000 aves – a esvoaçar pelos céus chineses – apreciarem. 

É tempo, pois, de acelerar o “despertar” europeu para que a UE dote as FA dos seus países-membros dos meios de defesa para o caso de agressão externa. Porque, Trump, está visto. Prefere andar por aí à caça de terras raras e petróleo. 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

9 fevereiro 2026