O tempo impiedoso cai sobre o Centro da cidade. A meteorologia, demasiado anunciada, apela às pessoas para se refugiarem nas suas casas. Não há condições para aturar as intempéries que se seguem sem tréguas. Chuva, vento, frio tomaram conta do viver das pessoas. As ruas, um pouco desertas, sentem a aspereza do tempo. As lojas, bem iluminadas, esperam os clientes que não aparecem. Aqui e ali, guarda-chuvas escangalhados enfeitam as bocas dos caixotes do lixo.
1 - Mesmo assim, neste desconforto, a cidade é bonita. Mais calma, é verdade, mas sempre bem erguida na pujança das suas memórias. A chuva estorva a visão que se farta, mas ainda dá para olhar os passeios encharcados para evitar que os pés se afoguem nas poças que se vão formando. Então na Arcada são pequenas “lagunas”.
Estou no topo daquela praça, outrora ampla e harmoniosa, e dá para erguer os olhos em frente e apreciar com rudeza o caos imposto pela prepotência de uma visão distorcida. Dá pena ver o Campo da Vinha a gemer com tanta tralha. Ali está numa desarrumação bem desarrumada. Pergunto: Não será tempo de se limpar aquilo tudo? Sim, é tempo. Ordem e asseio no espaço. Uma exigência. Olho também para a esquerda e fico a pensar naquele “monumento” pífio que dizem homenagear D.Diogo de Sousa, o grande construtor citadino. Como foi possível erguer aquela “obra brutalizada”, escurecida e amamarrachada, ali plantada, a estorvar a praça? Mau gosto? Falta de respeito pelo arrojo? Incultura? Ou será uma das tais originalidades absurdas da nova escultura?
2 - Em todos os recantos da romana urbe, a alma dos brácaros se sente. Está presente e clama, agora, por bonança política. Sim, é tempo do tempo amainar nos Paços do Concelho. A cidade precisa do bulício da oposição. Daquela oposição imaginativa, corajosa, construtiva. Presidente temos com arcaboiço e com ideias para conduzir o concelho a bom porto. João Rodrigues tem demonstrado que quer mudar o paradigma de desenvolvimento urbanístico. O PDM - Plano Director Municipal - está aprovado. Custou, mas está pronto a executar. Boa notícia para os bracarenses. Seguiu-se o Orçamento. Obras de vulto virão mudar a cidade. Espero que sim.
3 - Arrumada a casa e empossadas as lideranças das empresas municipais é tempo de arregaçar as mangas e meter as mãos no trabalho. João Rodrigues tem um tarefa difícil nos ombros. É verdade! Mas, eu acredito neste jovem. Na sua determinação, na sua inteligência para, com diálogo e abertura, convencer a oposição a colaborar no bem da cidade, das freguesias, mas, fundamentalmente, das pessoas. São as pessoas a preocupação primeira do Presidente. Eu sei. Eu confio. Os bracarenses têm que confiar, porque João Rodrigues é um jovem confiável.
4 - O temporal continua acabrunhando quem passa. É preciso que apareçam umas nesgas de sol, ao menos, para resplandecer a cidade. Para se caminhar pelas ruas e pelas praças, apreciando a vetustez do granito trabalhado por mãos geniais. A minha cidade teve no passado gente com visão. E com arrojo. É preciso, agora, outra visão e muito querer para remendar as feridas que dilaceram a história e a dignidade da bimilenar cidade. Bato forte no Campo da Vinha. É preciso mesmo desobstruí-lo. Dar-lhe dignidade. O Convento do Pópulo o exige. O Lar Conde de Agrolongo o exige. O casario circundante o exige. A história o exige.
5 - Uma última palavra para a oposição. É tempo dos poderes dialogarem na edilidade. Um diálogo de adultos e responsável. Profícuo e preciso. Sem arrogância. A oposição tem de saber ser oposição. Tem de refrear os ânimos e perceber que tem agora uma tarefa grandiosa a desenvolver. Tem de ser inteligente e construtiva. A cidade precisa dessa oposição. Precisa de arrumar os dossiês que estão numa agenda sobrecarregada, exigente e inadiável. Não vale a pena alimentar outras “depressões” que só toldam o ambiente bonançoso que a cidade deseja e precisa.