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Viver e olhar para dentro

Todo o ser humano é parte do Planeta e nele, materialmente, acabará. E até atingir a idade adulta, pode afirmar-se que vive e progride na primeira lição da vida a viver.

Após tal vivência, de forma consciente, entra na última lição até ao final da existência. Assim se conclui que, para todo o sempre, será o homem professor e aluno da vida. Terá oportunidade de projectar, de sonhar, de ter sucessos e derrotas, uma vez que tudo faz parte dos “altos e baixos” de cada um.

Na vida de cada homem é importante possuir cultura, ser sábio e nunca se deixar “embrulhar” pelas ondas da mentira, deturpações, falsos ideais e nunca ser “músico de ouvido”, uma vez que depois se pode apresentar afinado ou dissonante.

É imperioso, indispensável, estudar os livros que poderão ser o “pão” que têm de alimentar o carácter, a dignidade, a competência e, sobretudo, sentir-se no coração de Deus e feliz à volta dos homens.

Qualquer professor ou aluno da segunda fase (vida adulta), deve conhecer os seus limites: que a natureza a Deus pertence e que tudo continuará a renovar-se sem sua acção directa. Logo, ambos sabem, têm de saber e aceitar que ninguém é insubstituível.

Todo o homem, rico ou pobre, inteligente ou não, tem de aceitar lutar contra guerras, guerrinhas ou guerrilhadas, uma vez que estas são sinónimo do mal e de alguém que se demitiu, que viu insignificância nos outros, entre outros defeitos.

Todo o homem tem obrigação de ser sério e feliz, porque ser feliz também é usar as perdas para refinar a paciência, usar as falhas para esculpir a serenidade, usar a dor para lapidar o prazer, usar os obstáculos para abrir as janelas à vida e à aceitação da vontade do Criador.

Assim, aceito e creio que todos os homens deverão procurar ser bons professores e alunos. Não o sendo cairão na falência.

Nos tempos que passam, exige-se muito, busca-se muito e, até paz se procura através da religião, da vida espiritual. Procuram-se ainda sucessos de toda a ordem e em todos os ambientes em que se possa estar inserido, o que é normal.

Mas todo o bem-estar, exige de quem o procura que acredite em si mesmo, que tenha carácter, que saiba o que quer e, rigorosamente saiba, se o que quer é possível de conseguir, de se realizar.

Ninguém pode esperar facilidades para se promover, para se realizar. Quem pensa que o tempo resolve, que o tempo trás ou que a cunha vai funcionar, esses, nunca passarão de suplentes, de passadeiras, de coitados que a própria sociedade vê e (os) julga por cima dos ombros. 

Na vida temos de procurar ser sempre os primeiros, os da frente do pelotão, mas sem nunca descurar a ideia de que podem existir outros com melhores capacidades e, por isso mesmo, nunca desistir.

O próprio Cristo, embora pudesse à nascença ser, entre os homens, o primeiro de todos, quis esperar (pela maturidade) para ensinar, testemunhar e apontar aos homens a Verdade. Pelo que, há necessidade absoluta de se aprender e bem, a esperar, sendo-se justos connosco mesmo e, pois claro, com os outros.

A felicidade não bate à porta daqueles que fogem da vida. Mas o cristianismo manda que os mais capazes e os que mais podem ou aqueles que mais bem colocados estão, ajudem os que fogem: os menos capazes e, nunca por nunca os apontar ou destruir. E destruir, nestes tempos, é o que se faz: nos locais de trabalho, entre famílias e entre nações. Bem se vê que o diabo não dorme.

Custa, bem se sabe, recuperar os prevaricadores, os predadores ou os filhos das trevas. Mas todo o homem tem direito a curar-se, desde que não mostre preguicite ou indiferença – bem como o direito a várias oportunidades, uma vez que ninguém sabe tudo e porque as virtudes não são para todos em igual número.

Tantas vezes pretende-se ser o primeiro à custa do sebo e da escova, à custa de informações que destroem, das tesouras que usam, cortando maliciosamente o fato que os outros vestem. E desse modo pensa-se que limpam os pedregulhos que surgem, que se limpa o ar a respirar, obtendo os lucros que se pensam arrecadar. Puro engano!

Neste tempo, nesta vida que se faz nova e diferente minuto a minuto; num tempo em que cada vez o homem mais só se sente; em tempo onde o egoísmo e as tropelias acontecem e esmagam através das guerras que se vivem… concluiremos que não há facilidades na vida, principalmente na vida adulta. Todavia, é verdade também, que uma vida fácil não pode (nunca) ser virtuosa.



 

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)

Artur Soares

Artur Soares

6 fevereiro 2026