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Gerir com os mínimos ligados…

O espírito de improvisação tão típico dos portugueses, nem sempre é uma boa forma de encarar os grandes desafios sociais. Este problema muito grave que temos vivido, devido às condições atmosféricas adversas, poderia ter sido eventualmente menos grave, se as nossas autoridades tivessem planos de ação mais concretos. Neste campo, a ação política poderia olhar para o Desporto como uma das áreas mais eficazes nesta estratégia que é o planeamento e retirar algumas lições. No desporto, o acaso não é o que se procura. Por trás de cada vitória, recorde, existe um elemento fundamental que, muitas vezes, passa despercebido: o planeamento. Num mundo marcado pela busca por resultados imediatos, saber organizar o caminho até aos objetivos tornou-se um verdadeiro diferencial dos países/clubes/atletas mais eficazes. 

No rendimento desportivo, o planeamento é uma ferramenta indispensável. Atletas, treinadores e equipas técnicas constroem programas de treino, recuperação e competição, estruturam cada fase da época, desde a preparação física até ao acompanhamento psicológico, acima de tudo, trabalham muito na antecipação de cenários e na programação da ação. Tudo para garantir que o atleta/equipa chegue ao momento em que é preciso e responda nas melhores condições. Os atletas/equipas que seguem um plano estruturado e fundamentado conseguem evoluir de forma consistente, evitam lesões e mantêm a performance ao longo de mais tempo. Já a improvisação excessiva costuma gerar desgaste e ineficácia.

O planeamento permite estabelecer metas, avaliar processos e corrigir falhas. Ele ajuda a transformar sonhos em objetivos concretos e ações diárias com consistência. Fora dos campos, a importância do planeamento é igualmente evidente. No quotidiano, definir prioridades e preparar-se para os desafios, faz toda a diferença. Os especialistas em gestão e comportamento humano destacam que pessoas organizadas apresentam níveis mais baixos de stress e maior sensação de controlo sobre a própria vida. Na verdade, o planeamento não é prever tudo, mas estar preparado para lidar com o inesperado e gerir melhor os problemas que surgem. 

Um bom planeamento não significa rigidez, e é aqui que entra a adaptação. No desporto, as mudanças de estratégia são comuns devido a lesões, resultados ou condições externas. Na vida, imprevistos também exigem adaptações. Exemplos de sucesso, tanto no desporto como na sociedade, mostram que os resultados são construídos com base na preparação e na organização. Planos sólidos, baseados em objetivos concretos, com antecipação de cenários, costumam gerar impactos mais positivos e sustentáveis. Em determinadas matérias sociais deveriam existir pactos de ação entre as diversas forças políticas, em que as suas cores ou ideais tenham pouca importância e não sejam o fator de restrição ou aprovação do caminho (lógico) a seguir. 

Num tempo em que parece dominar o descartável, o imediato, o “agora”, o planeamento reafirma-se como uma ferramenta poderosa para ter resultados positivos mais à frente, fundamentalmente para as próximas gerações. É muito importante gerir as questões sociais com os “médios ligados”, ver curto (o imediato) é um caminho demasiado incerto e muito aberto ao imprevisível!

Carlos Dias

Carlos Dias

6 fevereiro 2026