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A importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento integrado na doença oncológica

O cancro continua a ser uma das principais causas de morbilidade e mortalidade, em Portugal e no mundo. Apesar dos esforços desenvolvidos nas últimas décadas, e dos significativos avanços no diagnóstico e tratamento, o impacto da doença na vida dos doentes, e das suas famílias, permanece elevado. Toda a sociedade é afetada, e todos têm um papel na luta contra o cancro. Assim, o diagnóstico precoce e o acompanhamento integrado dos doentes são determinantes na melhoria da sobrevivência e da qualidade de vida. 

Atualmente, programas de rastreio organizados, como no cancro da mama, colo do útero e colorretal, permitem detetar a doença numa fase inicial. Este diagnóstico precoce pretende aumentar os resultados das terapêuticas implementadas, idealmente com intuito curativo. Para as neoplasias não abrangidas pelos programas de rastreio, é essencial a valorização atempada de sinais e sintomas de alarme. A adesão da população a estes programas e a procura precoce de cuidados de saúde perante alterações persistentes são passos essenciais para reduzir o impacto da doença. Sensibilizar, capacitar e responsabilizar são armas primordiais, que têm de ser incentivadas. 

No entanto, sabemos que o diagnóstico duma doença oncológica dita o início duma nova batalha. O tratamento oncológico atual é cada vez mais complexo e exige uma abordagem integrada, centrada no doente. Esta abordagem envolve equipas multidisciplinares que incluem médicos de diferentes especialidades, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissionais de saúde. O objetivo é garantir que cada doente recebe um plano de tratamento individualizado, dirigido não apenas às características da doença, mas também na situação clínica, social e emocional do doente. Centrado no doente e, cada vez mais, abrangendo a sua família. 

A Liga Portuguesa Contra o Cancro desenvolve e promove diversas ações que focam todos estes fatores: educação para a saúde, promoção de estilos de vida saudáveis, divulgação e execução de rastreios, apoio psicológico, jurídico, social e financeiro, voluntariado comunitário e hospitalar, financiamento de projetos de investigação, entre outros.

Para além do diagnóstico e tratamento, o seguimento ao longo do tempo é fundamental. Os efeitos secundários dos tratamentos muitas vezes têm impacto a longo prazo, persistindo ou, até mesmo, surgindo anos após a sua administração, o que faz com que seja necessário manter a vigilância e atuar em conformidade. Por outro lado, a integração familiar, social e profissional não pode ser desvalorizada, sendo que, não raras vezes, os doentes têm de percorrer um longo caminho de descoberta e aprendizagem com a sua nova condição. 

A articulação entre os profissionais de saúde, as instituições e a comunidade é essencial para garantir cuidados de qualidade, mais humanizados e mais eficazes, numa luta que é de todos.

Marta Viana Pereira

Marta Viana Pereira

6 fevereiro 2026