1. Vem aí a Quaresma. Principia no próximo dia 18 com a celebração de Quarta-Feira de Cinzas. É um tempo que a Igreja propõe como preparação para a Páscoa, a grande festa dos cristãos.
Na mensagem que nos dirigem os nossos Bispos dão particular relevo ao Sacramento da Reconciliação ou Penitência. Lembram a tradicional penitência quaresmal – oração, jejum, esmola – e informam de três finalidades do contributo penitencial.
2. Gostei de ver o relevo dado ao Sacramento da Reconciliação que nem sempre tem sido tratado como deve. Que tem sido desvalorizado. De que dá a impressão de haver receio de falar. No entanto a Reconciliação é a forma normal de se obter o perdão das faltas graves cometidas depois do Batismo. Reconcilia-nos com Deus e com a Igreja.
O pecado «abala ou rompe a comunhão fraterna. O sacramento da Penitência repara-a ou restaura-a. Nesse sentido, não se limita apenas a curar aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas também exerce um efeito vivificante sobre a vida da Igreja que sofreu com o pecado de um dos seus membros. Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador é fortalecido pela permuta de bens espirituais entre todos os membros vivos do corpo de Cristo, quer vivam ainda em estado de peregrinos, quer já tenham atingido a pátria celeste» (Catecismo da Igreja Católica, 1469).
«A reconciliação com Deus tem como consequência, por assim dizer, outras reconciliações, que trarão remédio a outras rupturas produzidas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no mais profundo do seu ser, onde recupera a própria verdade interior: reconcilia-se com os irmãos, que de algum modo ofendeu e magoou: reconcilia-se com a Igreja; reconcilia-se com toda a criação» (Idem).
3. Além do perdão, dá ao penitente a graça sacramental, importante na luta contra o pecado, pelo que é aconselhável a Confissão frequente:
«Todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano». «Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente recebido a absolvição sacramental; a não ser que tenha um motivo grave para comungar e não lhe seja possível encontrar-se com um confessor. As crianças devem aceder ao sacramento da Penitência antes de receberem pela primeira vez a Sagrada Comunhão» (Idem, 1457).
«Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais) é contudo vivamente recomendada pela Igreja. A confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele» (Idem,1458).
Fala-se deste Sacramento na Quaresma mas deve ser celebrado sempre que seja conveniente. Se a meio da manhã sujei a cara não espero pela manhã do dia seguinte para a lavar.
4. Gostei de ver a indicação de como deve ser celebrado: um só penitente com confissão e absolvição individual ou a celebração comunitária com confissão e absolvição individual.
Não há, e bem, qualquer referência a absolvições coletivas, de cuja celebração se tem abusado. Tem havido, em alguns meios, a pretensão de converter em regra o que é exceção; a que é legítimo recorrer apenas em circunstâncias muito concretas e com a autorização devida.
5. Uma referência ao contributo penitencial. Consiste na participação pecuniária, proporcional às posses de cada um, a entregar para as finalidades indicadas pelo Bispo. Este ano são três:
- 40% do valor será destinado ao Fundo Partilhar com Esperança, serviço de ação social instituído pela Arquidiocese de Braga para ajudar todos os que são atingidos por qualquer forma de pobreza, exclusão social ou emergência;
- 30% destinado a apoio às obras de recuperação/requalificação, desenvolvidas pela Cáritas Arquidiocesana, de um edifício que servirá como casa de acolhimento de mulheres e crianças/jovens vítimas de violência doméstica;
- 30% destinado à Arquidiocese de Rabat, em Marrocos, para desenvolvimento de programas de apoio psicológico e psiquiátrico às pessoas que sofrem de perturbações de ansiedade, depressão e stress pós-traumático como consequência dos terramotos que afetaram aquela região em 2023.