A política sempre foi uma arte com uma vertente intrinsecamente performativa. Tal como noutras atividades com impacto na vida coletiva, forma e substância caminham lado a lado. A substância está sujeita ao juízo do tempo; a forma, essa, só subsiste quando assenta na justiça e na elegância. Quando este equilíbrio se rompe, a política transforma-se em espetáculo. Na última década, a forma passou a sobrepor-se claramente à substância. Vivemos hoje numa civilização do espetáculo, onde a política do ruído, do vídeo curto e da partilha incessante nas redes sociais: TikTok, Instagram e afins, raramente se traduz em efeitos concretos na vida das pessoas. O político bem-sucedido tornou-se aquele que melhor alimenta o algoritmo e dele se alimenta, esquecendo que os tentáculos do polvo são sempre demasiados numerosos para uma só pessoa controlar. A política passou a ser moda e a moda, por definição, é passageira e pouco dada a produzir transformações duradouras. Ainda assim, subsistem resistências e vários quadrantes e espaços políticos. Há quem, no meio do ruído visual e auditivo, continue a acreditar na mudança através do trabalho diário, da consistência e de uma visão de futuro. Esta postura, cada vez menos valorizada, torna-se particularmente singular quando adotada por um presidente de autarquia, como é o caso de João Rodrigues.
Muitos acreditavam que esta forma de estar, não sobreviveria ao tempo político atual. Defendiam que João Rodrigues seria incapaz de concretizar, em quatro anos, muito daquilo que acabou por alcançar em poucos meses. Logo no momento da tomada de posse e da formação do executivo municipal, vários analistas da política bracarense antecipavam a ingovernabilidade e a impossibilidade de cumprir um mandato estável, tendo em conta a distribuição dos mandatos. As negociações para a formação do executivo foram, de facto, difíceis. Contudo, hoje a Câmara Municipal de Braga encontra-se ativa em todas as frentes, com nomeações orientadas para a ação, tanto no executivo municipal, como nas empresas públicas. Quando muitos previam que o PDM não avançaria, Braga tornou-se uma das poucas cidades capazes de aumentar significativamente a sua capacidade construtiva, criando condições para oferecer mais habitação aos seus cidadãos, melhores serviços e definindo vias estruturantes. Enquanto outros se entretinham com promessas grandiosas nas redes sociais, conscientes da sua inviabilidade, o atual Presidente da Câmara avançava com uma obra há muito desejada pelos bracarenses, mas que poucos acreditavam ser possível, face à excessiva centralização do Estado. Sem ruído, sem espetáculo, mas com trabalho e visão estratégica, os resultados começaram a surgir e hoje todos falam da concretização de uma nova variante como se não achassem impossível que há vários meses.
Não vemos o Presidente da Câmara constantemente em vídeos, nem em publicações diárias. Paradoxalmente, começamos a habituar-nos a algo que deveria ser normal: eleger alguém para governar e vê-lo fazê-lo com tranquilidade, consciência dos desafios e sem transformar a política local num palco permanente. Esta elegância política reflete-se também na forma como assumiu, sem reservas, que o orçamento municipal integra propostas da oposição. O objetivo não é vencer adversários, mas fazer com que Braga ganhe todos os dias. Nesse orçamento, a requalificação da rede viária assume um papel central, respondendo a uma das principais exigências dos bracarenses. Serão investidos mais de 13,5 milhões de euros em intervenções como a Variante do Fojo, a Rua D. Pedro V, o Nó de Ínfias, a Rua dos Presidentes/5 de Outubro, a Estrada Municipal 587, a Rua Conselheiro Bento Miguel, a Rua Quinta do Carreiro, a Rua de São José e a Avenida de Requeixo.
Só no silêncio é possível ouvir os outros, princípio frequentemente esquecido na política contemporânea. João Rodrigues parece ter feito desse pressuposto um eixo da sua governação. Como escreve Erling Kagge, num livro essencial sobre o silêncio: “o silêncio tem a ver com a redescoberta, por meio da pausa, das coisas que nos dão alegria”.
Num tempo político saturado de ruído, Braga destaca-se pela concretização do essencial. E é nesse silêncio ativo, feito de trabalho e consistência, que se começa a redesenhar a qualidade de vida dos bracarenses.