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O resultado das próximas eleições presidenciais

Os efeitos da tempestade Kristin tem diminuído, compreensivelmente o debate sobre as eleições no próximo domingo. No entanto, as próximas eleições presidenciais são, como quase todas as eleições, essenciais para Portugal.

Lamento muito, para o futuro do país, que o meu candidato, Luís Marques Mendes não tenha ido à segunda volta porque considero ser o melhor Presidente da República que Portugal poderia ter.

Contudo, a vida é como é, e, é necessário, como sempre, respeitar a escolha dos portugueses.

Os portugueses ao longo dos tempos têm de escolher que tipo de Portugal queremos, que vida queremos, que sistema político queremos.

Não sendo António José Seguro o meu candidato preferencial, como disse, houve um pormenor na vida de António José Seguro que sempre admirei, comum, até a Passos Coelho e Manuel Monteiro.

Esses três políticos, em certo momento, afastaram- se da vida pública que, até aí, teria sido bem intensa e foram cuidar da sua vida.

E fizeram-no quando o seu partido voltou ulteriormente ao poder, nuns casos mais cedo, noutros casos mais tarde. Facilmente teriam conseguido um cargo público bem remunerado, dentro ou fora de Portugal se o tivessem desejado, quando os respetivos partidos chegaram ao poder.

No entanto, preferiram ir tratar das suas vidas, começar ou retomar uma carreira antiga – penso que nos três foi mesmo começar – quando poderiam ter optado por uma situação bem diferente, mais confortável e com muito menos esforço.

Não sei o que acontecerá com Passos Coelho ou Manuel Monteiro mas, se entenderam, um dia, voltar à vida política, vão fazê-lo como fez António José Seguro, ou seja, totalmente desprendidos, sem deverem nada a ninguém e dando exemplo de comportamento cívico e político que deve ser timbre de quem exerce funções públicas mas que, infelizmente, nem sempre acontece.

António José Seguro deu, assim, um exemplo de desprendimento, seriedade, credibilidade e integridade essencial a quem exerce funções públicas.

Por outro lado também foi um político que soube sempre divergir do seu partido, um socialista muito diferente do que foi António Costa ou Pedro Nuno Santos, tendo até uma atitude de colaboração com o governo na luta contra a bancarrota criada pelo PS – e foi disso vítima nos seu partido – e nunca foi um político adepto da geringonça ou do estilo de governação socialista dos anos transatos.

E isso tem o seu peso nas atuais circunstâncias.

E as circunstâncias atuais são que, após sucessivas eleições e de instabilidade governativa – que temos tido desde o terceiro governo socialista até ao fim da legislatura anterior –, Portugal precisa para o seu desenvolvimento de um período de governação que cumpra o tempo desta legislatura.

Ainda por cima com este governo que, apesar da sua maioria relativa no parlamento, tem-se esforçado por introduzir reformas em Portugal que apenas não são mais rápidas devido ao comportamento dos partidos da oposição da esquerda à direita.

De facto, os aumentos dos nossos ainda baixos salários, mas com a maior subida da OCDE, o ritmo de descida dos impostos, os acordos com várias classes de profissionais em guerra há vários meses atrás, as reformas importantes para a sociedade portuguesa e os elogios às contas públicas portuguesas, são um referência muito positiva atribuída por instâncias independentes europeias.

André Ventura, por seu lado, o que pretende é ter uma maior votação, para, desse modo e com a sua habitual falta de sentido de estado, trazer um fator grande de ingovernabilidade do país. Na mente de André Ventura o futuro do país é relegado para segundo plano, desde que o seu futuro político seja assegurado.

Por outro lado, é falsa a análise de pensamento que ouço por aí que o CHEGA ficaria fortemente diminuído no caso (impossível ) de André Ventura ser Presidente. O que aconteceria seria termos um Presidente com ilusões e com posições tão verdadeiras como os maravilhosos cantos de sereia que matam os marinheiros com um Presidente que tentaria espalhar na sociedade portuguesa que as suas idílicas e falsamente maravilhosas posições só seriam concretizadas com o CHEGA no poder.

Por isso, a abstenção, os votos em branco ou nulos que ouço muitos eleitores não socialistas declararem entregar nas urnas, apenas poderá dar força à percentagem dos votos em André Ventura uma vez que, politicamente, o que interessa são os votos expressos mesmo que aqueles outros ou a abstenção subam em grande número.

Sei que os tempos são outros, mas Cavaco Silva teve duas maiorias absolutas com Mário Soares. A escolha é fácil, dado que é fácil perceber que António José Seguro dá garantias de mais governabilidade de Portugal do que o seu opositor e, isso, é importante para a decisão final.

Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa

4 fevereiro 2026