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Apanhados 51

O uso de estrangeirismos (galicismos, anglicanismos, italianismos, conforme sejam de origem inglesa, francesa, italiana...), quando falamos, escrevemos ou escolhemos o nome a dar a um estabelecimento comercial e industrial ou a um prato ou receita de culinária, mais não é do que um ato de desvalorização da nossa Língua Pátria; além do mais esta atitude não tem razão de ser justificativa, a não ser como um meio de atrair os consumidores e de um comportamento manifestamente de notória exibição pessoal e social.

Para além de outros fatores, a globalização veio espoletar o fenómeno migratório em todo o mundo; e esta fuga inusitada e em massa de populações heterogéneas para países de maior evolução económica, cultural e social acarreta inúmeros constrangimentos e convulsões nas culturas acolhedoras e recetoras.

Ora, na base desta problemática surge o fator cultural onde a Língua tem um papel determinante para uma bem sucedida integração dos imigrantes na sociedade que escolhem como nova morada ou nova forma de vida, mesmo que temporária; e o nosso país, por muitas e variadas razões, tem sido procurado por elevadas vagas de imigrantes que buscam, maioritariamente, resolução ou ajuda para os seus problemas económicos, onde a busca de um emprego é primordial.

Por isso temos necessidade de procurar o necessário veículo e meio de integração bem sucedida de quem nos procura, estimulando e fomentando os atos coletivos do bom uso da nossa Língua; e, assim, exigindo, mormente, que, no acolhimento da nossa cultura que encontram, seja sempre posto em relevo o ato e a forma de falar e escrever a nossa Língua.

E porque a nossa Língua é a quinta língua mais falada no mundo (atualmente cerca de 290 milhões de pessoas a falam), atrás do mandarim, do espanhol, do inglês e do hindi, tempo e modo é, então, de tudo fazermos para a defender dos abusos e desleixos que ponham em causa a sua pureza e originalidade; e, então, vemos com absoluto desinteresse a frequência com que o uso da língua estrangeira é preferida para escolha de nomes de estabelecimentos comerciais e industriais; e inclusivamente, de culinária e de propaganda, seja de que produtos for, dela fazem pleno uso para estabelecimentos de restauração, bem como para citações públicas de alimentos e confeções de ementas e de pratos.

Pois bem, a nossa cidade de Braga não foge à regra e, então, por aí se vê a utilização desbragada, e diria mesmo abusiva, de estrangeirismos na escolha de nomes para lojas, estabelecimentos vários de atividades comerciais, industriais e, até, culturais; e esta não é uma forma, de maneira nenhuma, de defender e utilizar com correção e elevado sentido de patriotismo e apoio, promoção e defesa dos nossos valores culturais, patrimoniais e humanistas; além do mais, este virar de costas à nossa cultura e desuso que é dado à nossa Língua Pátria, só demonstra uma apagada e vil tristeza de ausência de bom gosto e mediocridade intelectual e cultural.

Ora, para que não restem dúvidas daquilo que afirmo deem por aí uma volta de olhos bem abertos e afiados, e vejam o que eu tenho visto e ouvido a este respeito; e, se não ficarem incomodados com tais afirmações de desleixo e mau gosto no uso público da nossa querida Língua, é tempo de reverem a falta do vosso apego e carinho com que a vão, igualmente, tratando e… maltratando.

Então, a quem de direito se exige que se imponham as regras públicas de defesa e uso correto da Língua nos atos públicos que a todos dizem respeito; e somente assim podemos mostrar a quem nos visita e, inclusive, connosco quer trabalhar e conviver o gosto e prazer que todos temos no uso e defesa da nossa Língua Pátria.

Então, até de hoje a oito.

Dinis Salgado

Dinis Salgado

28 janeiro 2026