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Descaramento e amnésia!

 


 

 


 

Não dei qualquer importância à primeira volta da eleição presidencial. E não dei, porque os candidatos, de um modo geral, eram segundas ou terceiras escolhas. O país, de facto, não merecia estes candidatos. A Presidência quer e precisa de homens de “peso”. Consensuais. Resolutos. Homens de ética e com fibra cultural. E sem gavinhas das fanfarronices partidárias.


 

1 - É notório que os candidatos apresentados não se afinaram pela elevação e pela qualidade do cargo que a Presidência da República exige. Pode acrescentar-se mesmo que, durante a campanha, não mostraram atributos, nem deram contributos para o esclarecimento, para a credibilidade e para afirmação positiva da política nacional. Nos debates, deixaram um rasto de falta de charme. Espalharam muita “lama”. Muita crispação. Bastantes suspeições e picardias desnecessárias que corriam à solta pela infinidade dos debates. Debates demais (28), cansativos, repetitivos para nada esclarecer, a não ser para alimentar as empresas de sondagens que jogam com números e com supostas escolhas dos eleitores com total falta de respeito e de seriedade. As sondagens são uma espécie de encenação e até uma manipulação grosseira só para criar “suspense”, fricção social e ficção política e, obviamente, ganhar dinheiro. 


 

2 - Um Presidente não pode tornar-se num agente de oposição ao governo, como alguns o exprimiram e o desejam. Uma campanha eleitoral não justifica e não aceita afirmações fortuitas, nem o vociferar de impropérios. Há limites. Exige-se elegância. Ponderação. E Sentido de Estado. Dito isto, tanto me fazia ser este o vencedor ou aquele na primeira volta. Claro, nesta abordagem descomprimida, excluo, por inteiro, os candidatos dos partidos da esquerda (Livre, PCP, BE). Da esquerda residual, zangada e sempre amuada pelo povo lhe virar as costas nos momentos eleitorais, apesar de apresentarem repetidamente soluções fantasiosas (!) e um repertório carregado de benfeitorias para os trabalhadores e para a plebe. A esquerda, como é sabido, é a paladina e única defensora das boas causas. Das propostas profundamente sociais para um viver sem preocupações. Só é pena, o povo não as querer ouvir, assimilar e aceitar. Se as ouvisse e votasse nessa linha, o país estava um mimo e as pessoas viviam desafogadas. Num mar de rosas. Sem espinhos! Seria uma vida à esquerda. Portanto, deliciosa! 


 

3 - Têm esta esquerda nacional, ao menos, o condão de se apresentar no palco, cheia de peito e de ideias mirabolantes. Ideias de cariz sempre despesistas e demagógicas, para animar a plateia já saturada desta treta completamente irrisória. Melhores salários e pensões; Saúde e Educação, só públicas, e do melhor para todos; boas casas e a preços controlados; leis laborais ao sabor dos trabalhadores e impostos pesados para os empresários. De facto, e perante este naipe de propostas tão amigas da classe trabalhadora, não se compreende o comportamento eleitoral do trabalhador luso. A esquerda, pela luta que desenvolve, não merece tanta ingratidão!


 

4 - É conveniente recordar três notas referentes à vitória de Seguro. A primeira diz que a candidatura de Seguro é uma candidatura unicamente pessoal e não partidária, uma vez que estava desligado do partido há mais de dez anos. A segunda diz respeito aos apoios dentro do seu antigo partido. A franja geringoncista, através do seu “porta-voz”, Santos Silva, não engolindo bem o desenrolar dos acontecimentos, veio a terreiro afirmar que Seguro não tinha “os requisitos mínimos para ser Presidente da República”, afirmação esta que excluía por inteiro qualquer apoio do PS e o rebaixava à condição de “sem perfil” e “sem qualidade” para este ou para outro cargo. A terceira nota, e esta de gravidade acrescida, Seguro foi escorraçado em 2014 pela ala costista da liderança do PS por ter conseguido vitórias de “poucochinho” e de Pirro. Neste enquadramento, é de realçar que o apoio de Seguro ao governo de Passos Coelho para salvar Portugal da bancarrota socrática ditou a sua sentença de “morte” política. Este apoio foi a última gota que levou à sua rejeição como secretario-geral do PS. Seguro era considerado mesmo um corpo estranho no partido. Daí, não se compreender tanta euforia! E haver gente da cúpula a querer receber os louros! Será Seguro a bóia de salvação do decadente socialismo?!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

25 janeiro 2026