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Os novos assaltantes

 

 

Hoje é dia de análises aos resultados eleitorais para PR. Deixamos isso, talvez numa intervenção próxima, mas agora abstenho-me por falta de rigor no conhecimento. Escrevo sobre o desaforo de Trump se auto-intitular presidente da Venezuela ainda que interino. Voltamos ao colonialismo não das descobertas além-mar, mas de conquistas por força de armas e sobra de descaramento. Então o direito de soberania que é apanágio e direito absoluto ficou onde? Na gaveta da decência não está, talvez esteja no gavetão da pouca vergonha que é o sítio onde Trump e Putin guardam os valores universais do direito à auto determinação e soberania dos povos. Não há desculpas para impor o jugo da suserania a quem quer ser autónomo. E o que se diz de ir às riquezas naturais daquela província dinamarquesa da Gronelândia, onde o olho rapace de Trump espreita babando de cobiça, não resiste às riquezas de solos daquela ilha gelada. Trump é um homem de negócios, nasceu nesse mundo, cresceu e lá viveu sempre na mira das melhores oportunidades para aumentar o seu património que herdou, por sinal, já bem grande. Mas ao rico nunca falta avareza para ambicionar riqueza. Nada temos contra quem queira ser rei e senhor de um grande negócio, mas somos visceralmente contra aqueles que enriquecem por meios fraudulentos. A força é um argumento dos que lhes falta caráter e, neste caso, fazem de outros roubos um crime de somenos importância, um crime desculpável. E pior, é que nos vamos habituando por efeito das coisas repetidas a olhar para o assalto ao direito dos outros, como uma coisa habitual, embora nunca dentro dos limites dos nossos valores que eram quem balizavam as atitudes. O Mundo está em perigo porque estes mesmos valores que demarcavam atitudes e convivências estão a enfraquecer de uma maneira tão visível quanto repugnáveis. A “soberania da tirania” vai ser doutrina social? Amanhã, e não se pense em grandes tempos de espera, Trump, Putin e Xi Ping mandarão no mundo. A Europa será uma recordação de valores obsoletos, cobertos pela poeira do tempo e congelados nas arcas da arrecadação. Será passado.



 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

19 janeiro 2026