Diz o Professor Vítor Frade que “no futebol, nada é pior que um idiota com iniciativa”. Infelizmente, Professor, não é, nem nunca foi só no futebol. Idiotas com iniciativa é o que há mais neste mundo onde, ao que parece, gente que se atreve a pensar começa a ser exceção, por isso exigir não só iniciativa, mas também um certo esforço e responsabilidade. Tornou-se cada vez mais fácil, através da IA, realizar trabalhos e obter resultados, permitindo que pessoas que pouco ou nada sabem sobre determinados assuntos, consigam opinar com convicção. E assim, muitos idiotas com iniciativa continuam a arrastar atrás de si os subordinados e/ou multidões que não pensam – mas existem. Também por isso, sem consciência da “batota” do líder cometem as maiores atrocidades, “pensando” (e dizendo) fazê-lo em defesa de um símbolo, de um emblema, ou de uma bandeira. Assim de repente, e extravasando o contexto desportivo, lembro-me de chefes de alguns países cujo perfil encaixa que nem uma luva neste tipo de liderança. Por cá, no desporto, na política partidária e em indivíduos que se candidatam à Presidência da República, também temos destas sumidades.
Mudando de assunto, como apreciador de futebol preocupo-me essencialmente com o JOGO, e por isso, tenho de dizer, que me faz uma certa confusão que determinadas equipas assentem o seu futebol numa determinada ideia de jogo, sem depois conseguirem potenciar aquilo que é o primeiro e (quase) único objetivo – marcar golos e vencer jogos. Opta-se por risco total no primeiro terço do terreno - na saída a jogar de trás – e depois, há temor em privilegiar alguma liberdade ofensiva (embora sem o permitir sempre – concedo) a jogadores que precisam dessa rédea solta para poderem expressar melhor todo o seu potencial. Não sou apologista do correr por correr, sem saber para onde, nem porquê, mas acredito que numa equipa organizada coletiva e ofensivamente, a opção, possa passar mais frequentemente pelo 1x1; remate de longa distância ou variação de flancos de jogo; tudo isto pode ajudar a desfazer e ultrapassar “autocarros”. Após meia época árdua a aprender a sair a jogar, falta transpor essa aptidão para… sair a ganhar, de preferência mais vezes, pois já percebemos que a estatística (favorável) de constantes goleadas na posse de bola, não dá pontos nem golos. Futebolisticamente falando, nunca gostei deste futebol geometricamente antidemocrático em que só uma equipa tem direito a “brincar” com a bola. Como adepto confesso do “football” (em inglês nos entendemos) entendo que o objetivo do jogo - o GOLO - deve estar sempre presente na mente dos jogadores, a partir do momento que recuperam a posse de bola. Neste jogo que se assemelha cada vez mais ao xadrez, acredito que sairão premiados aqueles que conseguirem sair da norma, realizando algo inesperado. Pelo que, ofensivamente, sou muito mais apologista de uma espécie de improviso com siso (aquele dente do…juízo) que não permitisse a um árbitro de andebol (e aos adeptos) de nos assinalar(em) constantemente…jogo passivo.