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As eleições e os debates

Em democracia é fundamental haver liberdade e abertura, embora com limitações transparentes e adequadas a cada período da vida política, não deixando de abordar os assuntos mais prementes, necessários ao presente e ao futuro do país.

Portugal, através dos séculos, e como país mais antigo da Europa, tem passado por fases de vivência comunitária e no seu todo, desde a monarquia, passando à República, à ditadura e com o movimento do 25 de abril de 1974, implantou-se progressivamente a democracia, bem estruturada e com sentido de liberdade abrangente à sua população, ao sistema político e à transmissão da comunicação verdadeira, transparente e não difamatória.

Este caminho tem sido seguido ao longo de quatro décadas, com sentido de responsabilidade, abrangência política e interligação partidária, ligada ao passado recente, quando os políticos analisavam com sentido construtivo as melhores soluções para o país.

Ultimamente a situação tem-se vindo a degradar, devido a um populismo crescente, impedindo o desenvolvimento sustentável, mediante medidas económicas adaptadas à atualidade e tendo em vista manter o acréscimo da classe média e erradicar a pobreza.

A situação que se tem verificado nas eleições para o Presidente da República, que devia seguir um caminho com perspetivas para o futuro, face às incertezas que o mundo atravessa, tem-se transformado em debates pouco construtivos, com ideologias diversificadas e não debatendo os problemas fundamentais, transformando estes em ataques pessoais ou de denúncia repentina e imprevisível.

Esta forma de abordar os candidatos cria a incerteza nos eleitores menos preparados e até naqueles conhecedores das situações vividas na atualidade para criar uma maior estabilidade, com princípios e valores, com programas bem planeados e não ocasionais, sem objetivos partidários, que desenhem uma sociedade mais justa, transversal às regiões e com sentido intercomunitário.

Infelizmente, o período eleitoral, através de certa comunicação social, com excessivos debates e muitos comentadores, o que não se verificava anos atrás, conduz a contradições e lança a incerteza nos candidatos e na eleição mais assertiva para o país.

Os debates promovidos pela comunicação social lançam a incerteza nos eleitores, devido aos ataques pessoais e à procura de problemas incertos, denúncias anónimas, com pouca consistência, quando se deviam concentrar em dar ideias para ultrapassar fases difíceis que o país atravessa e procurar oferecer as melhores soluções na atualidade, construindo um país mais descentralizado, projetando atividades para o interior e sua reocupação, assim como nos grandes meios urbanos encontrar soluções para atenuar a pobreza e perspetivar a resolução das situações para uma sociedade mais justa com sentido social transparente, mediante projetos bem delineados e ideologias construtivas e humanistas.

É de referir que mesmo nas pessoas mais bem preparadas reina a incerteza do voto, o que pode contribuir para a destruição da democracia e para o voto num sistema político autocrático, com perdas de liberdade e a instalação progressiva de um regime ligado ao passado.

Os eleitores devem votar com sentido de responsabilidade, pensando no futuro dos seus descendentes e no melhor percurso para o país, devendo o Presidente da República, no exercício das suas funções, ser firme na promulgação da legislação submetida, com os seus pareceres bem estruturados e delineados, face ao arco partidário da governação.

Bernardo Reis

Bernardo Reis

16 janeiro 2026