O direito internacional, para os ditadores, é uma piada mal contada. Estão a rir-se dela e, para o russo Putin, o coreano Kin Jong-Un, ou o chinês Xi Jinping o direito internacional ou a ONU não contam. Putin não teve nenhum receio do direito internacional quando invadiu a Ucrânia. Mas não são apenas os da área socialista que se estão borrifando para o direito internacional ou para o tribunal de Haia. Donald Trump, um democrata de contrafação, esteve igualmente arredado do direito internacional quando foi buscar à Venezuela o ditador Maduro. Retirou-o de lá com uma justificação esfarrapada e com uma simplicidade de retenção de um qualquer turista sem passaporte. Assim, sem mais nem menos, assim sem temer o direito internacional, assim porque quis e assim porque sabe que esse tribunal só tem poder moral. Com os grandes e poderosos faz como os cães que ladram de longe e metem o rabo entre as pernas se lhe baterem com os pés no chão. São valentes porque se sentem impunes e sabem que as ordens internacionais não passam de lugares de retórica. Nunca seremos a favor de Maduro, como o não somos por qualquer ditador mesmo que este se mascare de democrata, como é o caso de Trump; a verdade verdadinha, é que ir buscar a casa um presidente de um país, invadindo-o com armas, sacando do seu recato para o transportar para outro país é, no mínimo, um descaro de fazer corar um morto. Sempre tive a ideia de que Trump era discípulo de Putin e, afinal, não me enganei e o presidente dos Estados Unidos da América, querendo fazer figura perante o professor, vai de cometer uma invasão à Venezuela, semelhante à do mestre na Ucrânia. E assim a força da lei internacional vai perdendo força e prestígio e, quer queiramos quer não, direito só para uns é pior do que desamparo de todos. Então, se as instituições internacionais são deste jeito desonradas pelos grandes, quem defende os pequenos das rapinas dos mais fortes? Estamos órfãos por completo: a NATO não se opôs a Putin quando da tomada da Crimeia e depois da invasão à Ucrânia; a ONU não passa de um grupo que reza o terço da paz e mais nada, os “poderosos europeus” fartam-se teorizar sobre o direito internacional mas disto não passam e nós, os pequenos, rezamos baixinho para que o nosso vizinho não recue no tempo oito séculos e venha a Portugal reivindicar o condado portucalense, com a justificação que foi território de Castela! Utopia? Impossível; anacrónico, extemporâneo. Tudo isto pode ser, mas que é possível , é. Bom ano e que a cobiça dos poderosos se não torne em rapina dos mais fracos. E se Trump vier a dizer, as Lajes dos Açores são americanas invocando o direito de uso capeão?