O próximo Presidente da República (PR) irá ser o 11.º em toda a minha existência. Dado ter conhecido 3 durante a ditadura e, se Deus quiser, saberei quem irá ser o 8.º, em 51anos de democracia, saído do ato eleitoral de 18 de janeiro de 2026. Não sabendo eu como teria sido se, alguma vez, ao país tivesse sido dada a chance de ser chefiado por um monarca. Algo impedido, linearmente, pela Constituição da República Portuguesa (CRP).
Com efeito, desta vez estamos perante uma espécie de “feira eleitoral” onde à dúzia parece sair mais barato, o que não é verdade, uma vez que é gasto imenso dinheiro para se ficar a saber qual irá ser o menos mau para exercer um cargo de grande projeção nacional e internacional. Ao contrário da opção impedida pela CRP que, para além de desonerar as finanças não só com o exercício, como com a eliminação da propaganda e escrutínios, nos pouparia ao triste espetáculo das palhaçadas que temos visto. Mas não só. A meu ver, teríamos uma personalidade bem preparada, educada serena e justa, por forma a constituir-se não só num baluarte de um reino soberano e independente, como no garante dos partidos políticos e da democracia, capaz de ombrear com outros estadistas do mundo.
Porém, aquilo que presenciamos com esta espécie de “reizinhos sem coroa”, a eleger, são bocas ofensivas atiradas de uns aos outros a roçar o indecoroso, repletas de embustes e veneno. Autênticas comadres ao soalheiro a dizerem mal da vida alheia e a lançarem entre si atoardas de acusações e suspeições, algumas delas do foro rapace e de facilitismo, mas que não dão em nada, nem prestigia a instituição a que se candidatam. Como se estes aspirantes a inquilinos do Palácio de Belém fossem patriotas de “puro-sangue lusitano”. Pois não vi até hoje um único sem mancha de interesses na casca de político, o que evidencia algo escondido. Isto é, tal como os frutos, só ao descascá-los e degustá-los é que se saberá da qualidade.
A comportarem-se desse jeito, pergunto: como é que aquele que vier a ser próximo PR poderá merecer crédito e respeito se, ao longo do seu mandato, não se fizer respeitar? Se não tiver dado provas, antes, não só de contenção verbal, como de competência, personalidade, assertividade e postura? É que se é para exercer a magistratura como o tem feito o PR atual, embrenhado em tagarelices por tudo e por nada, num comportamento quase diria selvagem, isso já temos e espero não voltarmos a ter.
Ademais, insiro-me na camada de portugueses apologistas de uma figura máxima do Estado atenta à governação e que saia a terreiro para opinar sobre tudo aquilo que venha a mexer com a situação do país, a vida e dignidade do povo, os seus anseios e dificuldades que o atormentam. E demonstre, ao mesmo tempo, conhecimentos sobre a conjuntura mundial e europeia; defenda a honra da Pátria, a nossa História, os nossos valores e tradições. Porém, desconfio que nem com o enxame de debates, proporcionados pela Comunicação Social, a população se sentirá esclarecida. Até porque poucas pessoas ouvi dizer que já sabem em qual deles vão votar, exceto as afetas ao fanatismo ideológico-partidário.
Sendo assim, eu próprio tenho dificuldade em optar por algum que não me encha as medidas. Isto, é, não preencha os requisitos aqui apontados e todos os de maior relevância para a vir a ser PR. Pelo que me atrevo dizer que, em tempo de Reis Magos, temos essas “prendas” de candidatos para descobrirmos qual delas nos irá calhar no bolo-rei eleitoral.
E já que nenhuma das candidaturas me garante a eliminação na CRP da “alínea b), do Artigo 288.º, que impede a população de optar pela Monarquia Constitucional”, estou decidido a escrever no boletim de voto um apelo nesse sentido. Embora saiba da dificuldade que é ter Portugal a juntar-se aos países democráticos mais prósperos e evoluídos da Europa, estou em crer que só com essa livre escolha de regime o meu saudoso pai e meu avô rejubilariam no além.