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Maturidade e verdade

 



 

 

Muitos estranharão o silêncio, outros, indiferentes, farão como o costume – nem tomam nota – mas fica aqui registada a razão por que nesta campanha eleitoral, ponderado o percurso, não há, como tem sido hábito, um empenho nas ruas, nem campanha nos jornais, nem contacto com candidatos, com vista à mobilização do eleitorado para as eleições à presidência da República: a maturidade dos portugueses para o exercício de uma cidadania participativa. Ao longo dos últimos cinco anos, o Movimento de Cidadania Contra a Indiferença fez tudo o que podia para despertar e influenciar os bracarenses e outros, a partir do exemplo, para a necessidade de uma participação consciente na vida política do país. Julgo, sem desprimor para o trabalho de outras organizações civis, que os resultados alcançados estão à vista e, que nestas eleições, as menos participadas a par das europeias, os cidadãos saberão dar a resposta adequada aos números assustadores da abstenção que atingiram nas últimas eleições os 60 por cento, ainda que este número mereça ser lido à luz de uma reeleição garantida de Marcelo Rebelo de Sousa. Não obstante, este flagelo, que nos envergonha, estou convicto, até pela dinâmica gerada pelo número de candidatos em presença, que a abstenção será muito inferior à registada na primeira eleição do atual presidente da República, 51,16%. Como não sou adivinho, abstenho-me de apontar metas e prefiro rubricar aquela máxima adaptada às circunstâncias: previsões só no final das eleições. Contudo, esta ausência na campanha, não significa o fim do Movimento, pelo contrário, abre-se uma nova janela de oportunidade para nos concentrarmos todos em algo substantivo sem o qual as eleições são um instrumento figurativo como em tantos países: a defesa da nossa Democracia. Para a defendermos, não basta pronunciarmos boas intenções, precisamos de passar à ação. Por isso, o principal foco do Movimento será a defesa da Verdade, o combate à manipulação e àqueles que se servem das fragilidades dos cidadãos para venderem “gato por lebre”. Terão total oposição, serão denunciados na praça pública e se for o caso levados a barra do tribunal. Este é o momento para nos mobilizarmos em torno de um novo Manifesto, não contra a Indiferença, mas a favor da Democracia, dos Valores, dos princípios, da tolerância, da integração, da solidariedade e da sã convivência entre todos, respeitando o pluralismo ideológico. Neste capítulo, importa voltar a valorizar e de que maneira o debate das ideias e combater o “folclore” que nos empobrece, esmaga a nossa capacidade crítica e a clarividência, afogando-nos em tentações radicais sem sentido. Esta é a hora para nos mobilizarmos sem tibiezas, nem desconfianças troianas. Não há tempo para olhares esguios nem para velhos ou novos restelos se acomodarem à espera de que ventos cíclicos façam o seu papel. A mudança só acontecerá se quisermos que ela aconteça. Apelo assim às centenas de pessoas que subscreveram o Manifesto contra a Indiferença, em maio de 2021, que não adormeçam e se ergam de novo como o fizeram há quase cinco anos – que orgulho – para juntos defendermos a bandeira que os nossos visavós, avós e pais começaram a tecer a partir de 28 de maio de 1926 até à conquista da Liberdade e da Democracia em 1974. Da conjugação dessa memória e do que hoje somos feitos, resultará, estou certo, a nossa capacidade, de combater com convicção e frontalidade os que ousam pôr em causa o nosso futuro coletivo.



 

Paulo Sousa

Paulo Sousa

11 janeiro 2026