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Doenças respiratórias no inverno: sinais de alerta e prevenção em casa

 


 

As infeções respiratórias representam um importante problema de saúde pública a nível mundial, com centenas de milhões de casos anuais. A gripe sazonal, causada pelo vírus Influenza, é responsável por cerca de mil milhões de infeções por ano, com vários casos graves. Outros vírus, como o vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e coronavírus sazonais, contribuem significativamente para este impacto. As infeções respiratórias baixas, como a pneumonia, continuam a ser uma das principais causas de morte por doença infeciosa, sobretudo em crianças pequenas e idosos.

Com a chegada do inverno, antecipa-se um aumento significativo destas infeções respiratórias, com pico de incidência nos meses de dezembro a fevereiro. Nesta altura do ano, a circulação de vírus respiratórios aumenta significativamente, o ar frio e seco fragiliza as vias respiratórias e a maior permanência em ambientes fechados e pouco ventilados facilita a transmissão dos principais agentes causadores destas infeções. Assim, as temperaturas mais baixas não são, por si só, a causa, mas funcionam como um fator facilitador.

Os sintomas mais frequentes incluem tosse, congestão nasal, dor de garganta, febre e cansaço. Na maioria dos casos, trata-se de situações ligeiras e autolimitadas, com melhoria progressiva a partir do 4.º ou 5.º dia, embora a tosse possa persistir até 8 semanas. No entanto, é essencial reconhecer sinais de alerta, como dificuldade respiratória, febre elevada ou persistente, dor no peito, coloração azulada dos lábios, confusão ou agravamento súbito dos sintomas, sobretudo em pessoas de risco: pessoas com mais de 65 anos, crianças pequenas, grávidas e indivíduos com doenças crónicas, como doença respiratória, cardiovascular ou compromisso do sistema imunitário. Nestes casos, deve ser contactada a linha Saúde 24 para adequado encaminhamento.

Por tudo isto, torna-se essencial adotarmos todas as medidas de prevenção possíveis. A vacinação continua a ser uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de doença grave. É recomendada a vacina anual contra a gripe e contra a COVID-19 para pessoas com mais de 60 anos ou pertencentes a grupos de risco. Também a vacinação contra a pneumonia, indicada para pessoas com mais de 65 anos ou pertencentes a grupos de risco, permite reduzir o risco de pneumonia grave. Aliadas a estas, de referir também a vacina contra o VSR, causa muito comum de infeção do trato respiratório.

Outras medidas simples, mas muitas vezes esquecidas, passam pela simples higienização das mãos com água e sabão ou solução alcoólica, sobretudo após o contacto com superfícies partilhadas, adotar uma correta etiqueta respiratória, cobrindo a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, utilizar máscara se tiver sintomas de infeção respiratória e ventilar os espaços interiores (abrir as janelas durante alguns minutos permite renovar o ar e reduzir a concentração de partículas virais). Manter hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada, boa hidratação e descanso adequado, contribui também para reforçar as defesas do organismo

O inverno traz desafios à saúde respiratória, mas a informação e a prevenção continuam a ser as melhores aliadas. Estar atento aos sinais de alerta e adotar medidas simples no dia a dia pode fazer a diferença para atravessar esta estação de forma mais segura. 

* Médicas Pneumologistas da ULS Braga

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Diana Amorim

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Mariana Silva Lima

10 janeiro 2026