O novo ano chegou e, com ele, as entradas desportivas em Braga foram bastante amargas. Esta é a altura certa para fazer um breve balanço das atividades desenvolvidas e monitorizar o que correu bem, percebendo também o que correu mal e precisa de ser corrigido.
Começando pela liga portuguesa, constata-se que o SC Braga está muito aquém do esperado e desejado. A diferença pontual para o topo da classificação é assustadora, numa fase em que era suposto estar em desenvolvimento um projeto assente num novo processo, capaz de promover a aproximação aos primeiros lugares e de lançar as bases para, num futuro não muito distante, tentar a conquista de um inédito título. Recordo que, no passado, o SC Braga esteve perto de ser campeão, como no chamado “ano dos túneis” ou do jogo sujo benfiquista a vários níveis, em que o SC Braga de Domingos Paciência viu um título escapar por jogadas obscuras de bastidores que conduziram o SL Benfica de Jorge Jesus à conquista desse cetro de forma, no mínimo, discutível. Mantenho a opinião de que esse título foi roubado ao SC Braga, pois para os lados da Luz parecia valer tudo para superar a magnífica época bracarense que “apenas” redundou num segundo lugar.
Voltemos à atualidade, para regressar a uma estranha forma de vida do SC Braga depois do que se passou na Amadora onde deixou fugir dois pontos quando, em pleno segundo tempo, teve dois golos de vantagem e o jogo absolutamente controlado, até ao momento em que os amadorenses ressuscitaram com um golo de regional, inadmissível numa equipa com ambições elevadas. O empate final não deu apenas um “rosto mais fechado” na viagem, como referiu Carlos Vicens, mas acentuou a fraca pontuação conseguida decorrido que está meio campeonato. É a prestação na liga portuguesa que mais preocupa os adeptos.
Ao longo da época são vários os exemplos em que a referida estranha forma de vida se observa em Braga, em momentos que a equipa cria condições para ser feliz, deixando felizes os seus, para estragar tudo por qualquer razão, por menos válida que ela seja.
O empate, sob forma de derrota, da Amadora deixou a equipa mais exposta à crítica, natural nos adeptos que esperavam bastante mais do que têm observado e deixou dias de preparação da final four da Taça da Liga mais sombrios e incertos. Este artigo, por questões de logística, não inclui o balanço da fase decisiva de Leiria, onde o desfecho da competição pode abrilhantar a época dos Gverreiros do Minho ou, receio maior da Legião, adensar ainda mais o ambiente e a crença em torno de evolução da equipa.
A Taça de Portugal continua a ser um objetivo para os lados da Pedreira, pois a visita a Fafe requer cautelas, mas recomenda o apuramento arsenalista, sob pena de se ver a época terminar muito precocemente para aquelas bandas.
A nível europeu, há um apuramento que se saúda como praticamente confirmado, existindo ainda possibilidades reais de este se concretizar dentro dos primeiros oito classificados.
Por fim, duas notas negativas: uma para o futsal que, em ano de remodelação, tem estado abaixo do expectável. Apesar de a época não estar perdida, os sinais dados na quadra são motivo de efetiva preocupação. A outra nota vai para o futebol feminino, onde já começam a faltar adjetivos para classificar uma prestação próxima do miserável. Há muito a reformular na equipa feminina, pois a performance global tem evidenciado uma estranha forma de vida de quem parece estar a habituar-se a não ganhar nada de nada.