Agora que 2025, como qualquer moribundo que se preze, já deu as últimas, penso que, a nível nacional, não foi um ano para ficar na história pelas melhores razões; e nem melhor. nem pior do que 2024 talvez tenha sido um ano vulgaríssimo.
Ora, atendendo a que com a demissão de António Costa do governo que liderava para se escapulir para um cargo europeu de renome, houve necessidade de o país ser chamado às urnas para escolher novo governo; e a escolha recaiu na AD (coligação PSD/CDS), embora com uma ligeira vantagem sobre o Partido Socialista.
Pois bem, destas eleições resultou um evidente retrocesso da esquerda, mormente do PCP, BE e PAN, em favor de um avanço muito significativo da direita protagonizada pelo partido CHEGA; e esta realidade eleitoral impediu a maioria parlamentar da coligação vencedora de que resultou uma natural criação de dificuldades à governação do empossado primeiro-ministro Luís Montenegro.
Então, esqueçamos 2025 que nem sequer saudades deixa nos seus abonadores e saudemos 2026 que já, neste momento, sete dias leva de vida; e, fundamentalmente, na esperança de que se aguente firme e rijo nas canetas e traga novos e reforçados motivos de resolução dos mais graves problemas dos portugueses que muitos são e de variados matizes.
E, assim, que em 2026:
Os políticos não continuem a prometer, a prometer mundos e fundos e a não cumprir ou cumprir pouco ou quase nada; e, sobretudo, que se deixem de cotoveladas e atropelos para agarrarem os tachos que se traduz numa corrida como nunca se viu de tanto dirigente ou quadro político-partidário a concorrer às autarquias e, até, como independentes, na lógica de que agora são cargos bem apetecidos, porque bem remunerados.
Os impostos não continuem a afligir e prejudicar a vida e a carteira dos portugueses, quando muito porque nivelam por baixo e não por cima; quer dizer, porque ainda não vi a desejada igualdade dos cidadãos perante as leis fiscais, pois, assim, continuam a pagar e a não bufar os mesmos que sempre o fizeram.
A pobreza deixe de castigar tantas famílias e para que tal não aconteça preciso é deixar de tanto extremar a vida social; pois, de um modo geral, o que existe é de um lado, os que têm muito ou quase tudo e, do outro lado, os que pouco ou nada têm.
A justiça social que tem sido cavalo de batalha de tantos dirigentes e agentes políticos não continue a ser um sonho das mil e uma noites ou seja um sonho apenas bom na cabeça dos humilhados e ofendidos; e, finalmente, possa tornar-se no desejado propósito, há muito à espera de ser resolvido em prol dos mais desprotegidos e esquecidos.
Que as reformas, pensões e ordenado mínimo não sejam sempre tão esquecidos e se faça justiça a quem trabalhou uma vida inteira e a quem inicia o seu trabalho profissional ou já nele se encontra; porque as pensões e as reformas, grande parte delas de miséria bem como as pensões de sobrevivência, nunca deviam existir, mormente quando pensamos nos milhares de trabalhadores e demais profissionais que ajudaram a construir tanta riqueza social para todos.
Finalmente porque continuam a multiplicar-se, como cogumelos em monturos e estrumeiras, as formas mais comuns de viver à custas dos outros, como sejam a corrupção, o compadrio, o caciquismo, a fuga ao fisco, a lavagem de dinheiro, a especulação e o tráfico de influências é tempo de por um ponto final nesta bandalheira; e de finalmente sanar esta chaga social, através do empenho dos organismos competentes e eleitos para governar, bem como os mandatados para fiscalizar e fazer justiça, atuando com dureza, rigor e de olhos vendados, que é como quem diz, sem olhar a meios e a quê e a quem.
E, assim, deixemos pois descansar 2025 em paz e viva 2026, desde que seja um bom, generoso e profícuo ano igualmente para todos; e, fundamentalmente, porque não queremos que a Democracia continue a degradar-se nos seus princípios e objetivos fundamentais como vem acontecendo.
Então, até de hoje a oito.