Os camaleões têm a faculdade de mudar de cor consoante o meio em que se coloquem, com a ideia de enganar os incautos insetos que quer caçar. Ao apreciar o que fazem os candidatos a presidentes da República, pareceu-nos um paralelismo entre os camaleões e esses candidatos. Estes são capazes de beijar o menino que está ao colo, de abraçar com “afeto” um qualquer desconhecido, são capazes de visitar a tasca porque lá comerá uns bolinhos de bacalhau porque “ele é dos nossos”, não se furta a criticar os concorrentes sem educação ou sequer elegantes, até fazem promessas sociais que pertencem ao governo. Mudam assim de cor, de personalidade como o camaleão muda a sua pele. Para quê? Para caçar: o camaleões os insetos que precisam para a sua alimentação, os políticos para caçar os votos que são necessários para serem eleitos. Mas este mimetismo político vale alguma coisa? “Conta-se que uma rainha de Inglaterra ia visitar uma ilha. Lá estava a fila das bandeirinhas; entre os mirones estava um avô que “discursava” em voz alta contra a monarquia. Este avô tinha ao colo um netinho. Quando a rainha se aproxima e vê a criança, para uns instantes e diz: que menino bonito e dá-lhe um beijo. O avô, aquele convicto republicano, levanta a voz e grita bem alto: viva a rainha, viva a rainha”. Isto dá que pensar pelo menos a supor que, o beijo no menino, é uma maneira de fazer política e tem o poder de fazer de um republicano um monárquico. É pouco e ingénua ou mesmo infantil esta mudança de opinião apenas por um gesto tão natural. Será isso tudo e muito mais que se lhe pode juntar, mas a verdade é que se os candidatos não beijarem os meninos ao colo, não provarem a patanisca ou beberricar a “pomada “ do que “é dos nossos” serão tidos como empertigados, antipáticos. E “ não levam o meu voto”. Daqui se pode concluir que o mimetismo político é melhor que o candidato.