Estamos no início dum novo ano. Altura em que muitos ditos e expressões costumam dizer-se.
“Ano Novo, Vida Nova”, frase que se ouve repetir com frequência. Talvez contenha aspectos positivos, embora possa transformar-se numa expressão balofa e sem significado positivo.
Realmente, se esta altura do ano serve para que cada um de nós pondere com boa vontade em fazer uma espécie de exame de consciência, que nos leve a rectificar aspectos da nossa conduta que não foram – e não são – os indicados para a boa convivência; pela calma que se exige quando uma reação brusca e virulenta acode ao nosso espírito; quando a preguiça nos leva a não fazer o que devíamos no tempo certo, demorando e engendrando um mundo diferente do que tenho de encarar para cumprir os meus deveres, e, ao fim e ao cabo, não me apetecer levar a cabo uma tarefa simples mas maçadora, evitando voluntariamente, pensar nela e sempre adiar a sua realização...
Quando pensamos bem na nossa conduta, verificamos que o “Ano Novo” e a “Vida Nova”, por si só, não mudam nada na nossa vida, a menos que o encaremos com sentido objectivo. E não termos uma espécie de medo ou de exagerada conveniência no adiamento persistente da execução de uma acção objectiva, que se transforma numa forma egoísta de enfrentarmos a realidade.
Todos nós temos defeitos. O “Ano Novo” não nos conduzirá a uma “Vida Nova” de verdade, se não lutarmos contra eles. Certamente que suprir uma deficiência que nos afecta e faz parte de nossa conduta e, com muita frequência, da nossa própria maneira de ser, exige um combate persistente bem encaminhado, sabendo de antemão que devemos esforçar-nos com vigor, que nem sempre saímos vitoriosos e, também, que neste enfrentamento, ao lograrmos progredir e melhorar em algum defeito crónico, descobriremos que existem outras maleitas comportamentais que desconhecíamos até então.
Esta guerra custosa e exigente requer humildade e persistência. O primeiro requisito assinalado impõe-se para saber aceitar as nossas lacunas pessoais, não as deixarmos entregues à sua livre vivacidade, e saber combatê-las com denodo. Por vezes, e assim vivemos o segundo requisito, a supressão dum defeito pode demorar uma boa parte da nossa vida.
Por tudo isto, sobre a expressão “Ano Novo – Vida Nova”, há quem não aprecie muito o que ela, na realidade, significa. E prefere usar um outro dizer, mais realista no que ele significa e nos ensina: “Ano Novo – Luta Nova”. De facto, renovar os combates pessoais – com tantas ressonâncias no nosso comportamento, quer interno, quer externo e social – a fim de lograrmos uma conduta mais sadia e eficiente, exige um constante reflectir sobre o modo de levar a cabo os nossos compromissos quotidianos. E renovar com constância e oportunidade o modo mais perfeito de cumprirmos as nossas obrigações verdadeiras certamente que nos conduzirá a uma luta objectiva e sem pausas desnecessárias e inconvenientes.